Diana: Princesa das Amazonas (resenha)

“Chegou a primavera e, pra onde quer que eu olhe, as mamães cuidam dos filhotes.

Mas tudo muda quando os pequenos começam a crescer”

Essa é uma publicação da Editora Panini, que trouxe ao Brasil a excelente linha para crianças e pré-adolescentes da DC Comics.

A história se passa quando Diana tem por volta de 11 anos de idade e tem toda a ilha de Themyscira para explorar. Quando não está estudando, ela costuma nadar com golfinhos, correr com leopardos, observar os pássaros e treinar um jogo chamado palma-bola. Mas cresce em Diana a aflição de ser a única criança na ilha, de não ter ninguém com quem brincar e dividir experiências. Todas as suas “tias” e sua mãe não lhe dão mais tanta atenção e só têm tempo para questões sérias. A futura Mulher Maravilha percebe que é velha demais para brincadeiras e nova demais para as questões política/militares da ilha.

Entediada pela solidão, Diana molda uma boneca de barro e lhe dá o nome de Mona, que ganha vida como por um milagre. As duas se tornam as melhores amigas e passam a se aventurar juntas, inclusive a pregar peças nas Amazonas. Com o passar dos dias essas brincadeiras de mau gosto vão ficando cada vez mais sérias, a ponto de colocar toda as amazonas em perigo. No final, a rainha Hipólita dá uma lição de moral na pequena Diana que, apesar de tudo, ganha o que mais queria: reconhecimento de que é uma amazona.

Esta é talvez a melhor história da Editora DC Comics, produzida na última década, que eu me recorde de ter lido. O roteiro simples e direto, produzido por Shannon Hale e Dean Hale, não é focado em criar uma nova linha temporal para a heroína, nem tampouco “desconstruir a personagem” como vem sendo recorrente nas últimas décadas.

Em todo tipo de atividade, é muito comum as pessoas elegerem as suas listas: “as 10 melhores do ano”, “as 10 melhores da década” etc. E isso não é diferente no universo dos quadrinhos. Sempre que estou com alguns amigos, que também compartilham este tipo de leitura, o assunto converge para algum quadrinho de super-herói que lemos, onde ele se encaixaria na nossa ordem de preferência.

Me ocorreu que, nestas listas sempre figuram histórias que envolvem grandes sagas (geralmente cósmicas) ou a “desconstrução do personagem”, onde o herói é levado a situações extremas que revelam o seu lado humano e o levam a tomar atitudes nunca imaginadas para a sua personalidade. Geralmente essas histórias envolvem aspectos psicológicos do personagem, e requerem do leitor um conhecimento prévio de vários conceitos dos quadrinhos, literatura e cultura pop. Não tenho nada contra quadrinhos mais densos, mas este tipo de história dificilmente tem no seu público alvo leitores abaixo dos 12 anos.

Os quadrinhos de super-herói foram criados como uma forma de entretenimento barato para um público infanto-juvenil. Mas desde o início da década de setenta eles foram ganhando temáticas e roteiros adultos ao discutir temas como drogas, discriminação racial, extremismo político e religioso, feminismo e, mais recentemente, questões de gênero. Ou seja, com o passar do tempo, as revistas em quadrinhos de super-herói foram ficando cada vez mais distantes do seu propósito e público original: as crianças.

Nos últimos anos tornou-se bastante difícil encontrar em banca um quadrinho que possa ser lido por uma criança de 8 ou 9 anos e que acima de tudo a entretenha (não estou levando em contas quadrinhos Maurício de Souza nem Disney). E é justamente a isso que este novo lançamento se propõe.

Diana: Princesa das Amazonas foi feito com a mesma intenção das histórias dos primórdios da editora DC Comics: entreter um público infanto-juvenil. Toda a história é leve, bem-humorada, com diálogos diretos, simples e sem aberturas para interpretações filosóficas.

Os desenhos são simples, mas muito bem trabalhados. Sem muito detalhamento nos quadros, priorizam as expressões faciais e é muito bem complementado com a as cores. A colorização leve deixa a obra harmoniosa e prazerosa de ler.

Apesar de voltada ao público menor de 13 anos, muito provavelmente irá agradar leitores de todas as idades, principalmente aqueles que estão um pouco cansados de quadrinhos densos, aventuras cósmicas com infinitas crises ou guerras que nunca têm fim.

Logo no início, enquanto Diana está correndo e brincando pela ilha, a roteirista solta a seguinte reflexão num pensamento da protagonista: “Chegou a primavera e, para onde quer que eu olhe, as mamães cuidam dos filhotes. Mas tudo muda quando os pequenos começam a crescer”. Como se a DC Comics tivesse deixado de cuidar dos seus personagens conforme eles e todo o seu multiverso começaram a crescer, e agora ela está mostrando como se deve fazer um quadrinho divertido

Vale muito a pena para dar de presente àquele seu sobrinho/sobrinha que está aprendendo a ler ou para quem quer algo divertido no fim do dia.

A edição tem capa cartão, miolo em papel couchê, com 144 páginas, ao preço de capa de R$ 24,90, mas pode ser encontrada com desconto em lojas virtuais.

 

Por Maxson Vieira

Sobre o autor

Formado em Física, Mestre e Doutor em Engenharia Espacial / Ciência dos Materiais. Fã de J. R. R. Tolkien, José Saramago, Sebastião Salgado e Ansel Adams. Passou a infância e adolescência dividido entre Astronomia, quadrinhos, livros e D&D. Atualmente é professor do IFBA.


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