A história começa em 1974. Soldados da Ditadura Militar Brasileira, vestindo roupas que mais parecem armaduras hightech, dão fim aos corpos do maiores super-heróis brasileiros. Na página seguinte damos um salto no tempo, para 1994, e encontramos um velho loiro, barbudo, viajando sonolento num trem em direção à Zona Leste de São Paulo.Criado por Arthur Garcia e João Pacheco, Pulsar tentava surfar na onda dos quadrinhos de seres superpoderosos, mas com contexto brasileiro. A história se passa em São Paulo, o personagem principal foi preso e “assassinado” durante a década de 1970 pela ditadura que então governava o País.

Publicado originalmente nas páginas da revista Força Ômega, Carlos Camargo, o Pulsar, inovava por trazer temas políticos para os quadrinhos de aventura. Durante essa viagem de trem, nosso herói sofre uma tentativa de assalto. A princípio tenta argumentar com o assaltante, mas com a falta de resultados ele acaba deixando “vazar” parte de sua energia, num show pirotécnico que destrói as janelas de vidro do vagão.

Do outro lado da cidade, cientistas da USP detectam uma anomalia no campo quântico e logo avisam aos militares. Enquanto isso, Pulsar segue em direção à casa do seu velho amigo, o super-herói conhecido como Calibre.

A história de Pulsar foi publicada nas três edições de Força Ômega, a quarta nunca chegou às bancas. Um pouco depois, houve continuidade de suas histórias na revista Master Comics, que também foi publicada até o terceiro número. E assim seguiu as histórias desse personagem, sempre sem concluir o arco.

No início de 2018, no entanto, a editora Revolução Editorial publicou Pulsar – Edição Definitiva. O volume contém todas as histórias do personagem, mesmo aquela que permaneciam inéditas até então.

Com roteiro e desenhos de Arthur Garcia, arte final de Alex Silva, José Wilson Magalhães, Neide Harue, Sílvio Sotti e Toninho Lima, cores de Omar Viñole, edição e letra de Alexandre Silva, esse volume é um curioso item de colecionador.

É necessário dizer que nem tudo é positivo. Como o personagem nunca teve revista própria e era sempre publicado em capítulos bem curtinhos, a história não teve espaço para explorar todo o seu potencial. A temática, apesar de muito interessante, acaba não se desenvolvendo tanto quanto deveria. De qualquer modo, a edição é mais que recomendada para aqueles que gostam do estilo super-heróis. Arthur Garcia mostra que o Brasil também conseguiu realizar boas produções, apesar de toda a dificuldade editorial.

  • O quê: Pulsar – Edição Definitiva
  • Por: Arthur Garcia
  • Quanto: 30 reais.
  • Onde: Loja da Ugra, na Av. Augusta ou pela internet

 

José Fagner Alves Santos

 

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