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Resenha: Superman – O Que Aconteceu ao Homem de Aço?

“Estávamos assustados. Sabíamos que alguma coisa iria acontecer, mas não imaginávamos o que.”

Esta é uma publicação da Panini Books, de 2013, e apresenta três histórias do Super-Homem escritas pelo mestre Alan Moore: “O Que Aconteceu ao Homem de Aço?”, “A Linha da Selva” um interessante encontro do Super-Homem com o Monstro do Pântano, e finaliza com a interessante: “Para o Homem que Tem Tudo”.

A história que dá nome a este encadernado tem fundamental importância para a compreensão do todo, e vou começar este artigo por ela.

Em meados da década de oitenta, as histórias da DC Comics tinham grandes problemas de cronologia e discordâncias geradas pela imersão de múltiplos universos paralelos. A editora então, resolveu fazer um reboot nas suas histórias. Ou seja, destruir todo o seu universo, junto com os seus personagens, num evento chamado “Crise nas Infinitas Terras”, e recontar tudo do zero, e isso incluía o personagem mais famoso da cultura Pop, o Super-Homem. A pergunta que surgiu entre os editores da época foi: “Como iremos fechar uma história que é contada desde 1938?”.

A solução encontrada foi convidar um autor para escrever uma suposta última aventura do personagem. Como se a partir deste ponto, o Super-Homem fosse ser aposentado dos quadrinhos, e nada mais seria produzido. O roteirista inicialmente convidado para o trabalho foi o criador do personagem, Jerry Siegel, mas por problemas contratuais ele não pôde participar do projeto. A empreitada caiu no colo do Alan Moore, que praticamente exigiu que fosse ele a escrever a tal última história do Super-Homem. E o trabalho ficou excepcional.

A narrativa começa após o Homem de Aço desaparecer do planeta. Os motivos desse desaparecimento nunca foram muito bem explicados. Então, um repórter se dispõe a investigar e escrever uma matéria sobre o caso, e decide começar por entrevistar Lois Lane, na esperança de saber um pouco mais sobre o que aconteceu no último dia em que o kriptoniano foi visto na Terra. Então, sempre com a narração da personagem, descobrimos que os maiores vilões do Universo DC decidiram atacar o Super-Homem, e então iniciaram uma série de violentos ataques a Metrópolis. O herói, preocupado com a segurança de seus pais e amigos mais próximos, leva-os para a Fortaleza da Solidão. Neste ponto, ele recebe a visita de alguns heróis do futuro que queriam estar presentes em momento tão delicado.

Após alguns instantes de profunda reflexão, o Homem de Aço finalmente entende e aceita o que vai acontecer ao final do dia e parte para a luta contra o verdadeiro arquiteto dos ataques. Ao final da batalha, ele chega à conclusão que enquanto viver, as pessoas próximas sempre estarão em perigo e decide desaparecer do universo, entrando numa sala com kriptonita amarela para morrer. Ao final do relato, o repórter agradece e se despede, aí então podemos ver que Lois está casada e com um filho.

Eu sempre li e gostei muito das aventuras do Super-Homem, mas uma coisa sempre me incomodou muito: O fato dele ser muito poderoso e sempre conseguir resolver qualquer tipo de problemas. Alan Moore, aparentemente também sentia o mesmo, e resolveu nos mostrar outra faceta do personagem. Aqui, podemos ver o Super-Homem com medo. Sim, com medo. Medo ao saber que não conseguirá proteger os entes queridos e que sua vida irá acabar ao final do dia. E numa das cenas mais tocantes dos quadrinhos, ele senta e chora a noite toda. O Super-Homem CHORA. Cabe neste momento relembrar que o personagem pré-Crise nas Infinitas Terras era capaz de quase tudo. Lembro de uma situação em que ele amarrou alguns planetas um nos outros e os puxou!!!!! Que a sua memória era suficiente para catalogar todas as formas concebíveis de flocos de neve. E ELE CHORA.

Nas três aventuras do encadernado, o Alan Moore nos mostra um outro lado de um personagem tão poderoso. Que apesar de todos os feitos que pode realizar, ele foi criado como um humano e psicologicamente se comporta como tal, que sente medo e tem fraquezas como qualquer um de nós. O roteirista chega ao ponto de retratar o Monstro do Pântano consolando o kriptoniano no colo.

Na última história, somos apresentados aos mais recônditos desejos do personagem. E no final do encadernado é inevitável nos compararmos a ele. Afinal, se até o ser mais poderoso dos quadrinhos tem medo, fraquezas, desejos, angústias e frustrações, como nós, reles mortais, não teríamos?

Os desenhos ficaram por conta do Curt Swan, Rick Veitch e Dave Gibbons. O primeiro passou décadas desenhando o Super-Homem, e é considerado seu artista definitivo. Gosto do traço, apesar de ser um pouco datado e utilizar enquadramentos e diagramação que foram abandonados há décadas. Dave Gibbons é o desenhista de Watchmen e dispensa comentários. Já Rick Veitch mostra um traço muito bonito, e bebe muito da fonte das ilustrações de história de terror.

A edição é em formato americano, capa dura, e tem 128 páginas ao preço de capa de R$ 48,00. Pela carga dramática, e aspectos nunca vistos, vale muito a pena.

Maxson Vieira

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