Home Fagner Artigo Uma guerreira chamada Milena

Uma guerreira chamada Milena

Uma guerreira chamada  Milena
0

Muitos acreditam que quando se vibra uma energia positiva, a vida recebe uma carga extra de coisas boas. O nosso primeiro encontro com Milena Aquino de Jesus foi assim. Um feliz acaso. Uma das nossas integrantes foi convidada a assistir uma série de palestras sobre futurismo.

Por: Ana Clara Cordeiro com edição de Andreia Drska

Fotos: Arquivo pessoal da Milena

No fim da programação, o evento abriu espaço para perguntas da plateia. Nossa integrante elogiou os palestrantes e questionou como e quando todas aquelas possibilidades chegariam às escolas públicas. Ela aproveitou a oportunidade e contou um pouco sobre a escola que a maioria dos integrantes de O Berro frequenta. Foi nesse instante que uma jovem subiu ao palco e pediu para falar:

“Boa noite, meu nome é Milena. Sou ex-aluna dessa escola. Estou muito emocionada. Me desculpe, mas preciso dizer que a vida é incrível. Hoje, eu estava com muita dor de cabeça e quase não vim. Mas algo me dizia que precisava vir de qualquer jeito.
Agora já sei o porquê. Precisamos falar e combinar sobre como vamos levar tudo isso para lá”.

Ali, conhecíamos Milena. Como prometido, ela voltou à escola. E fez uma palestra muito interessante. Na apresentação, provocou os jovens. Levou-os a pensarem sobre a importância de se arriscar. Experimentar novas cores e sabores. Assumir riscos e acreditar no seu potencial.

Milena também nos contou um pouco da sua história. Filha do meio de uma família com três irmãos, ela nasceu em 1994, na comunidade do Heliópolis, em São Paulo. “Minha irmã mais nova sempre precisou mais da atenção dos meus pais. Logo, comecei a ser uma filha dedicada e responsável desde muito pequena”, diz.

,Aos sete anos, Milena passou a frequentar a Escola Estadual Jacques Maritain, onde os integrantes de O Berro também estudaram. Ela lembra que, na primeira série, era aluna da professora Guilhermina Castilho Daniel, que deu aos alunos a oportunidade de participar da Playciência, uma feira cujo objetivo era incentivar os estudantes a testemunharem a ciência na prática.

“Quando chegamos lá foi um sonho. Era uma feira de ciências com robótica”, diz. No início, ela se sentiu pequena quando viu os trabalhos que estavam sendo apresentados. “Mas depois pensei: se estou aqui é porque alguém achou o meu trabalho legal também.”
Até hoje, Milena agradece as portas abertas pela professora Guilhermina. “Ela foi meu primeiro acesso às coisas diferentes. Foi quem me levou ao Playciência, me orientou para ganhar a medalha de ouro em matemática e me mostrou um mundo de educação que eu ainda não conhecia”.

Já adulta, Milena foi estudar Administração na FAPPES, em 2015. Foi quando se apaixonou pelas aulas da professora Ligia Zotini, executiva da IBM. Ela relata que suas maiores e mais importantes experiências na FAPPES foram graças à docente.

“A aula era sobre Negócios Internacionais. E logo no primeiro semestre, aprendi com ela desde coisas básicas, que deveriam ter sido estudadas no ensino médio, até estudos mais complexos, sobre o futuro do nosso país”.

No decorrer do curso, Ligia notou o interesse de Milena e convidou a aluna para participar do projeto de tecnologia “Voicers”.

O grupo seria composto pela professora e quatro estudantes da faculdade. Milena estaria entre eles. “No fim de 2016, ela mandou mensagem para alguns alunos convidando-os para uma reunião na faculdade. O encontro aconteceria em uma sexta feira. Nós não tínhamos aula neste dia”, conta.

No encontro, Lígia pediu para que cada um se apresentasse e dissesse o que mais amava no mundo. E que contassem porque faria sentido fazer um projeto de verão com um carro autônomo que a Volvo tinha disponibilizado para ficar com ela pelo prazo de uma semana.

Depois de ouvir atentamente cada um, a professora selecionou aqueles que julgou apresentarem o perfil mais próximo do que ela buscava. Milena, novamente, estava entre eles. “Começamos a nos preparar para o grande dia, íamos gravar Tech Talks de pessoas incríveis, dentro de um carro autônomo. Era tudo muito amador.

Para nós, alunos, era o primeiro projeto envolvendo tecnologia”, observa. “Mas, a Lígia soube pegar o que cada um sabia fazer de melhor e o projeto ficou muito bom! Foi muito gratificante fazer parte dessa experiência incrível. Tive acesso a pessoas que jamais pensei que teria”.

A princípio, a iniciativa era um projeto de verão, previsto para terminar em 2017. “Mas quando colocamos esses vídeos no ar, nós começamos a receber muitos convites de grandes eventos pra fazer o mesmo formato”, relata Milena. “Fazer parte do Voicers, ter acesso a pessoas e experiências incríveis, trabalhar com uma equipe completa é muito gratificante. Nós fazemos coisas tão incríveis que ninguém acredita que somos apenas 5 pessoas, as mesmas desde o início.”

O projeto nasceu e foi se desenvolvendo sem nenhum tipo de parcerias, movido apenas pela paixão de seus integrantes e pela vontade de tornar o mundo um lugar melhor.
Hoje, o Voicers tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a tecnologia para usá-la a serviço do progresso humano.

É um projeto futurista, que conecta pessoas cujas vozes inspiram a pensar em um futuro grandioso e positivo. “Nossa missão é amplificar essas vozes que, sincronicamente, cruzam nosso caminho”, diz Milena.

Na prática, a iniciativa é um ecossistema digital de educação que busca democratizar o acesso às tecnologias e às tendências futuras.

O grupo, formado por especialistas das áreas de tecnologia, ciências, inovação e desenvolvimento humano, tem como missão desenvolver conteúdos educacionais, com grande foco em vídeos. Além disso, formula propostas alternativas e inusitadas para trabalhar esses conteúdos, que são batizadas deTech Talks.

Entre outras atividades recentes do grupo, Milena e Ligia Zotini participaram de um dos maiores festivais sobre tecnologia e desenvolvimento do mundo, o South by Southwest. Ou SXSW, como é mais conhecido, o evento é realizado anualmente em Austin, Texas (EUA), na primavera, e sua programação inclui atividades e festivais de cinema, música e tecnologia.

“No início do ano a Lígia nos deu a notícia de que o Voicers ia participar do SXSW 2019. Fomos aprovados e ganhamos o convite, dia 25/02 eu recebo uma mensagem da Ligia dizendo que tínhamos dois ingressos, e que eu era a única que tinha visto pra ir.”
No primeiro momento, Milena não acreditou no que estava ouvindo. “Eu não falo inglês, mas decidi enfrentar as dificuldades para ir. Cheguei ao evento e tive as primeiras impressões de tudo.

Rolou um mix de sentimentos que eu não conseguiria explicar aqui”, conta. “Peguei meu kit de imprensa oficial do SXSW e foi uma honra saber que o Voicers cresceu tanto, em tão pouco tempo. E saber que as pessoas conseguem enxergar o valor do nosso trabalho.”

jotafagner José Fagner Alves Santos é jornalista (MTB 0074945/SP) e Mestre em Educação. Fã de Ernest Hemingway, Tom Wolfe, Gay Talese, Hunter Thompson, John Hersey e Eliane Brum. Faz um arremedo de jornalismo literário. Colabora no Jornal Bem te Vi e no Diário de Promissão apresentou durante dois anos o Podcast Mídias e Modos. Já escreveu para o extinto Internet Geral e, recentemente, começou a colaborar como MixPoint.

Deixe uma resposta