Rosas de Ouro destaca a luta dos negros desde a chegada ao Brasil
Apresentando a África para entender o Brasil, a escola paulistana Rosas de Ouro levou para avenida um belíssimo desfile com o enredo “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Menezes, com o objetivo de mostrar a luta dos negros desde sua chegada ao Brasil até os dias de hoje. A escola foi a quinta escola a desfilar no Anhembi, em São Paulo, na sexta-feira (17), retratando a luta e resistência do povo negro na avenida. O vídeo está disponível gratuitamente para assinantes cadastrados no Globoplay.

O apresentador e embaixador do enredo Manoel Soares e a historiadora e empresária, Carolina Maíra Morais, foram algumas das personalidades que desfilaram na escola. Ela, há cinco anos à frente da The African Pride, empresa que fomenta a relação entre diversos países africanos e o Brasil, ressalta a importância de temas africanos como enredo.
“Enredos como este são um alerta ao Brasil, não existe como pensar o nosso futuro, o futuro do povo negro brasileiro sem pensar nossa relação com África. E o enredo da Rosas de Ouro é um canto de alerta”, afirma.
Kindala é uma palavra banto, que significa agora, do povo kimbundo na região que hoje corresponde a Angola. Para o embaixador do enredo, o apresentador Manoel Soares, “levar kindala para a avenida em São Paulo é um chamado pela união. A paz será conquistada através do trabalho pela igualdade racial e beneficiará toda sociedade brasileira”. Manoel também é embaixador cultural da União Africana e visita com frequência aquele continente, nessa missão de provocar reencontros entre África e Brasil.
Para Carolina, o carnaval é espaço de cultura e história e ganha um reforço maior com o continente sendo exaltado. “Quando se canta África no carnaval, é uma voz ancestral que sai de nossas gargantas. Temos saudade do lugar de onde viemos, mesmo sem nunca termos pisado. É hora de voltar e mergulhar nesse continente rico, como diz o samba: África chegou a hora da verdade! A hora da maior diáspora africana, o Brasil, conectar-se com o berço da civilização”, afirma a historiadora.
Ainda segundo ela, em diversos recortes a África ainda é reduzida a miséria, pobreza e a Rosas de Ouro foi além, ressaltando a resistência de um povo repleto de riqueza. “Por séculos nós ficamos aprisionados a uma imagem reduzida de África a ideia de miséria, pobreza e guerra. Essa imagem não condiz com a realidade do continente hoje. Precisamos recriar nosso imaginário sobre África, pisando, visitando, estudando o lugar de onde fomos retirados a força”, finaliza.
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Sobre o autor
Cidadão do mundo, jornalista por formação, comunicador por vocação, apaixonado por música, hardnews e ironia, fotógrafo por hobby, escritor e inquieto por criação. Autor de "Coisas da Vida", "O Diário de Arthur Ferraù", "Águas de Março", "Coisas da Vida" e da série "Labirintos do Coração".








