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Pico dos Itatins sofre com a visitação desordenada e o estado promete aumentar a fiscalização

Pico dos Itatins sofre com a visitação desordenada e o estado promete aumentar a fiscalização
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Considerado um dos locais mais bonitos do litoral paulista, a Trilha que leva ao pico do Morro dos Itatins está sofrendo com a visitação desordenada, mau uso e ausência do poder público.

O lugar, que já foi considerado um ótimo ponto para a prática de asa delta em outros tempos, possui a entrada proibida porque o Morro de Peruíbe, o trecho acima da cota 100, está dentro dos limites da Estação Ecológica da Juréia-itatins (EEJI), onde o acesso é restrito.

Apesar disso, a visitação ao local é antiga, tradicional e acontece de forma pacífica ao longo dos anos: Alguns sobem para fazer exercício físico, outros para contemplar a Mata Atlântica ainda preservada e  todos vão admirar a paisagem lá do alto, de onde é possível ver parte da Baixada Santista, as Ilhas, o Guaraú e a Juréia.

Prainha no primeiro plano e Ilha de Peruíbe, foto: Arquivo

Porém, todo este atrativo pode estar ameaçado devido ao  mau uso. Algumas  denúncias ganharam as redes sociais neste mês e outras chegaram à redação do Editoria Livre, cuja repercussão  pode fazer com que o poder público tenha que tomar providências.

Veja alguns dos problemas apontados:

A Trilha está cada vez mais larga; pessoas com caixas de som no volume alto; visitação em massa aos finais de semana; visitação sem um guia especializado e conhecedor do local; trechos abertos e limpos para barracas de camping; corte de vegetação para a implantação de novas trilhas e rampas;  modalidade de ciclismo, conhecido com downhill...

Quem for subir até lá tem que tomar cuidado com as bicicletas. Abriram  uma trilha paralela que foi adaptada para o downhill, onde os atletas descem o morro em alta velocidade. Há marcações, rampas e uma boa conservação da “pista”, dando a entender que o local recebe constante manutenção.

Marcação na trilha para a descida de bicicleta
Trilha paralela em bom estado de conservação

Assim como muitos fazem, o Rodrigo Cipoloni, da agência Roteiro Ecotrilhas, esteve lá em cima com a sua família, recentemente,  mas foi advertido pela administração da EEJI, conforme relatou à reportagem.  A situação causou indignação a ele e resultou em uma postagem no site da sua agência, na qual ele fala do problema e reclama do turismo da cidade.

“Fico triste porque aquilo poderia ser um ponto turístico bacana pra gente ir com monitor ambiental, com  conscientização, com preservação e com poucas pessoas, passando orientação bacana sobre a fauna e a flora do local. A vista lá é incrível, mas  fico triste porque a gente que trabalha com ecoturismo não pode subir e é advertido, enquanto o turista e o farofeiro podem.   É lamentável o estado turístico que vive Peruíbe. Decadência total.

Se não pode ir agencia de turismo credenciada no município no parque estadual, com monitor ambiental e  biólogo, então por que está subindo um monte de gente lá sem guia, sem orientação, sem monitor”, desabafou.

Rodrigo Cipoloni

Trecho com uma nova trilha à direita

Estado e município parecem não se entender quando o assunto é tentar resolver a situação ou saber a quem pertence a responsabilidade do local.

A Prefeitura de Peruíbe lavou as mãos e disse que o problema não é dela, jogando toda a responsabilidade para o Estado. Ela se mostrou aberta para discutir e colaborar com projetos em parceria, mas parece não ter planos ou disposição  para ordenar o local.

Veja a resposta:

“A Prefeitura de Peruíbe informa que o local conhecido como Pico do Morro encontra-se na área da Estação Ecológica de Juréia Itatins, sob responsabilidade e gestão da Fundação Florestal e Administração da Estação Ecológica de Juréia Itatins e a fiscalização e ordenação deve ser executada por esse órgão estadual.

Esclarece também que a trilha que dá acesso ao local, estima-se que esteja cerca de 15% fora da Unidade de Conservação, mesmo assim, no entorno e sujeito à fiscalização da Unidade de Conservação, está em área de propriedade particular. No caso de organização e ordenação, dentro das nossas possibilidades, estaremos abertos a discutir e colaborar com projetos em parceria.” (SIC)

Departamento de Jornalismo de Peruíbe

Já o Estado, por meio da administração da Estação Ecológica da Juréia-Itatins, disse em nota, que o acesso se dá pela  Estrada do Guaraú, fora dos limites da Unidade de Conservação. Informou que vai intensificar  as fiscalizações e autuar os responsáveis pelas infrações ambientais constatadas.

Veja a nota:

“A Fundação Florestal informa que a entrada da trilha do Morro dos Itatins é pela Estrada do Guaraú, em Peruíbe, fora dos limites da Estação Ecológica Jureia-Itatins (EEJI). O trecho da trilha que percorre dentro da Unidade não é aberto para visitação. Além disso, devido às medidas de segurança e combate ao Coronavírus, a EEJI, assim como as outras Unidades de Conservação (UCs), encontra-se fechada desde março.

A equipe da Estação Ecológica, com apoio da Polícia Militar Ambiental, intensificará as fiscalizações no local para coibir as irregularidades. Quando constatadas infrações ambientais, os responsáveis serão autuados conforme as legislações vigentes. Recentemente foi instalada uma nova placa que reforça as orientações.

O Mosaico Jureia-Itatins, onde está localizada a EEJI, possui diversas áreas onde são permitidas atividades variadas de contato com a natureza. A contribuição da população é fundamental para conservação das UCs e também para o ordenamento dos territórios.”

Placa recém instalada no local

Mosaico Juréia-Itatins

O Mosaico Juréia-Itatins, com mais de 97 mil hectares, é composto por quatro unidades de conservação de proteção integral – Estação Ecológica Juréia-Itatins (EEJI), Parque Estadual Itinguçu (PEIT), Parque Estadual do Prelado (PEP) e Refúgio de Vida Silvestre (RVS), nas ilhas do Abrigo e Guararitama, e duas unidades de conservação de uso sustentável – Reservas de Desenvolvimento Sustentável da Barra do Una (RDSBU) e do Despraiado (RDSD), localiza-se no Estado de São Paulo, entre a Região Metropolitana da Baixada Santista e o Litoral Sul/Vale do Ribeira, nos municípios de Iguape, Itariri, Miracatu e Peruíbe.

Vista do alto do morro, foto: Arquivo

Estado e município poderiam desenvolver um projeto ou parceria para que o espaço seja utilizado de forma consciente e segura, atraindo mais visitantes para a cidade de Peruíbe, movimentando a economia local e oferecendo educação ambiental  sem maiores danos à natureza.

 

Texto e Reportagem: Márcio Ribeiro

Fotos: Márcio Ribeiro

Contato: [email protected]

Márcio Ribeiro Sou Jornalista, Guia de Turismo, Monitor Ambiental, Técnico em Lazer e Recreação e Guia de Birdwatching. Sou um caiçara com orgulho das matas da Juréia. Trabalhei na Rádio Planeta FM, sou um dos fundadores do Jornal Bem-Te-Vi e participei de uma reunião de criação do Jornal do Caraguava. Fiz estágio na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Peruíbe e no Jornal Expresso Popular, do Grupo "A Tribuna", de Santos, afiliada Globo. Fui Diretor de Imprensa na Associação dos Estudantes de Peruíbe - AEP. Trabalhei também em outras áreas. Atualmente, escrevo para O Garoçá, Editoria Livre e para a Revista Editoria Livre.

Comment(1)

  1. PEDIU PARA O MAURÍCIO (KKKK PREFEITO DE ONDE?) PORQUE EM PERUIBE ESTAMOS SEM PREFEIYO E MUITO MENOS VEREADORES, ENTÃO NÃO PEDIU PRA NINGUÉM, QUE LÁSTIMA.

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