Agentes do Ministério da Saúde vão monitorar pelo menos quatro cidades por onde o morador de Sorocaba, vítima de Febre Hemorrágica, passou. Suspeita-se que as cidades de Itaporanga e Itapeva sejam os locais prováveis da infecção, já que o homem esteve visitando parentes por lá. Duas cidades da Região Administrativa do Vale do Ribeira também estão na mira do órgão federal.

Todas as pessoas que tiveram contato com o doente estão sendo monitoradas, ação que deve ocorrer até o dia 3 de fevereiro, quando se encerra o ciclo de 21 dias da doença. As famílias serão acompanhadas nas questões de higiene e outros cuidados e a mesma medida será tomada com os funcionários dos hospitais de Eldorado e Pariquera-açu, onde ele esteve internado.

De acordo com a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, Helena Sato, não há motivo para pânico, já que não existe na literatura médica nenhuma transmissão de humanos para humanos.

Em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde informou que no Brasil há relato de quatro casos, sendo três adquiridos em ambiente silvestre no estado de São Paulo e um por infecção em ambiente laboratorial no Pará. Todos foram contabilizados na década de 90, o último em 1999.

O vírus é o mesmo que foi identificado na década de 90, o vírus sabiá, da família do arenavírus e não tem correlação com os casos da China, de coronavírus.

Arte exibida pelo jornal Nacional, com a Baixada Santista à direita

A Prefeitura de Eldorado divulgou uma nota oficial sobre o caso:

“A Prefeitura Municipal da Estância Turística de Eldorado, através do Departamento Municipal de Saúde, vem a público trazer informações e esclarecimentos à respeito de um caso de Febre Hemorrágica por Arenavírus identificado no Vale do Ribeira.

Vale ressaltar que está em investigação a identificação do possível local em que o paciente adquiriu a doença, e que o Departamento de Saúde está seguindo todos os procedimentos e orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde, por se tratar de um caso raro.

De acordo com recomendação da Secretaria Estadual da Saúde, todos os profissionais da saúde, bem como os familiares que estiveram em contato com a vítima, estão sendo monitorados pela Vigilância Epidemiológica.

Não existe até o presente momento, qualquer possibilidade de contágio entre humanos, uma vez que a transmissão do vírus ocorre através do contato com a urina de roedores silvestres, porém, como mencionado anteriormente, a equipe da Vigilância Epidemiológica em conjunto com a Secretaria Estadual da Saúde está mapeando e monitorando todas as pessoas que tiveram contato com o paciente, não havendo nenhum indício de epidemia ou mesmo de quarentena como está sendo disseminado indevidamente pelas redes sociais.

Para quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários, solicitamos que entrem em contato diretamente com a Vigilância Epidemiológica do município (13 3871 3125) ou ainda com o Departamento de Saúde (13 3871 1281).”

Para melhor orientar a população, o Ministério da Saúde respondeu em seu site as principais perguntas a respeito do ARENAVÍRUS. Confira:

ARENAVÍRUS

O que é a Febre Hemorrágica Brasileira?
A Febre Hemorrágica Brasileira (FHB) é uma doença de origem zoonótica (doenças causadas por parasitas de animais), caracterizada por febre e manifestações hemorrágicas.

É causada por um vírus? Qual?
Sim, a doença é provocada pelo vírus da família Arenaviridae. Na literatura há o registro da ocorrência de quatro casos humanos de Febre Hemorrágica Brasileira provocados pelo arenavírus, uma variante do vírus Sabiá.

Como é transmitida?
Existem duas possíveis formas de transmissão: as pessoas podem contrair a doença principalmente por meio da inalação de pequenas partículas, formadas a partir da urina, fezes e saliva de pequenos mamíferos, possivelmente roedores SILVESTRES infectados, que funcionam como reservatórios do vírus. Pode haver também a transmissão entre seres humanos quando há contato muito próximo e prolongado com pessoas doentes, sobretudo em ambientes hospitalares, por meio do contato com sangue, urina, fezes, saliva, vômito, sêmen e outras secreções ou excreções de pessoas doentes.

Quais são os sintomas?
Os principais sintomas são febre, mal-estar, dores musculares, manchas vermelhas no corpo, dor de garganta, no estômago e atrás dos olhos, dor de cabeça, tonturas, sensibilidade à luz, constipação e sangramento de mucosas, como boca e nariz. Com a evolução da doença pode haver comprometimento neurológico (sonolência, confusão mental, alteração de comportamento e convulsão).

Por quanto tempo a doença pode ficar incubada?
O período de incubação, ou seja, período que compreende entre a exposição do vírus até o início dos sintomas, geralmente é de 6 a 14 dias, podendo variar de 5 a 21 dias.

Como posso me prevenir dessa doença?
A melhor forma de prevenir a doença é evitar o contato com roedores silvestres encontrados em áreas rurais e de mata. Aos profissionais de saúde, recomenda-se o uso de equipamentos de proteção individual como: luvas, gorros, aventais descartáveis, óculos protetor e máscara N95, além da desinfecção das mãos, que deve ser realizada antes e após o contato com os pacientes.

Se tiver algum sintoma, o que devo fazer?
Procurar atendimento médico e relatar ao profissional de saúde a história de contato com roedores silvestres, pessoas doentes, ou ainda história de viagens, presença em fazendas, parques ou atividades de ecoturismo.

Acho que eu (ou um familiar ou amigo) está com a Febre Hemorrágica Brasileira? O que devo fazer? Qual o serviço de saúde devo procurar?
Ficar atento aos sintomas da doença e em caso de algum sinal, buscar atendimento médico imediatamente e relatar ao profissional de saúde a história de contato com roedores silvestres, pessoas doentes, ou ainda história de viagens, presença em fazendas, parques ou atividades de ecoturismo.

Qual a gravidade da doença?
As infecções causadas pelo vírus da família arenavírus são raras e produzem um quadro febril hemorrágico, em geral, com evolução rápida e grave, podendo levar à morte.

Qual exame detecta essa doença?
A doença é detectada pelo exame de biologia molecular, disponível no SUS. As amostras da rede privada deverão ser encaminhadas à rede pública.

Qual é o tratamento para essa doença?
É realizado tratamento para os sintomas apresentados pelo paciente.

Tive contato com uma pessoa com suspeita de FHB, o que devo fazer?
Quem teve contato com caso suspeito deve monitorar diariamente o aparecimento de sinais e sintomas: febre alta, acompanhada de um ou mais sintomas – dor muscular, dor de cabeça, dor epigástrica e tonturas. Caso apareça, deverá procurar o serviço de saúde.

Quem estiver com suspeita de FHB deve ficar em isolamento?
Os pacientes suspeitos ou confirmados para essa doença devem ser isolados em um quarto individual, com banheiro e pias separadas. O movimento dos pacientes no ambiente hospitalar deve ser restrito.

Quais cuidados devo ter em áreas de mata e/ou locais próximos a matas onde circulam roedores silvestres?
É recomendado evitar: contato com roedores silvestres, encontrados em áreas rurais e de mata, e sentar diretamente no chão; arejar e se possível molhar o chão, para evitar poeira de galpões ou abrigos que tenham permanecido fechados por muito tempo ou com sinais evidentes de presença de roedores (principalmente urina e fezes); acampamentos devem ser montados em lugares afastados de onde haja possível presença de roedores, como ninhos, escombros, lixões, acúmulos de lenha ou produtos agrícolas, palha ou outros materiais são habitats preferenciais desses animais.

Há risco de epidemia dessa doença no país?
Até o momento, as investigações epidemiológicas apontam para um único caso restrito a uma região do país. Caso procedente de Sorocaba/SP, com histórico de viagem para Itapeva/SP, Itaporanga/SP, locais prováveis de infecção, além de Eldorado/SP e Pariquera-Açu/SP, na região do Vale do Ribeira. Sem histórico de viagem internacional.

Quando foi o último caso dessa doença no país? Porque ela voltou a aparecer?
Na literatura há descrição de quatro casos humanos de febre hemorrágica brasileira provocados pelo gênero Mammarenavirus (vírus Sabiá no Brasil). O último caso de vírus Sabiá descrito ocorreu em 1999 por infecção natural.Naturalmente, o vírus está presente em ambientes silvestres e circula entre os animais. A infecção humana ocorre de forma acidental e pode acontecer a qualquer momento.

O Ministério da Saúde estabeleceu restrições para viagens e/ou locais?
O evento de São Paulo é isolado e sua transmissão é restrita. Nesse momento, não há risco para trânsito de pessoas, bens ou mercadorias a nível nacional ou internacional.

Texto e Pesquisa: Márcio Ribeiro

Imagem: Pixabay

Contato: [email protected]

Fontes

Ministério da Saúde 

G1 Santos e Região

G1 Sorocaba e Jundiaí 

Prefeitura de Eldorado

 

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