Parágrafo inicial das matérias jornalísticas, o lead possui muitas variações, mas todas estruturadas com base em seu formato clássico

O texto jornalístico possui algumas características muito próprias. As variações de estilos e gêneros existem, é claro, e são abundantes. No entanto, para fins didáticos, costumamos simplificar as definições e a apresentar o lead como sendo a forma correta de se escrever uma matéria.

O termo vem do inglês – to lead, do verbo conduzir, mas nós abrasileiramos e escrevemos lide – e se refere ao primeiro parágrafo do texto. É nele que o autor deve apresentar respostas para as seis perguntas básicas de toda matéria:

  • O quê?
  • Quem?
  • Quando?
  • Onde?
  • Como?
  • Por quê?

Esse método tem em vista que algumas pessoas não lerão a reportagem até o final. A maioria dos seres humanos resume sua leitura ao título, linha fina e ao primeiro parágrafo. As informações de aprofundamento estarão nos parágrafos seguintes. Se a curiosidade do leitor for atiçada pelo lead, ele continuará a leitura até o final, caso contrário, basta abandonar e passar para a próxima matéria. Sendo assim, uma das funções do lead – além de responder às questões básicas – é fomentar o interesse do leitor. Por isso, o texto deve ser claro, as informações precisam estar dispostas pelo seu grau de importância e as construções frasais precisam ser simples e em ordem direta. Também é preciso lembrar que, o ideal é que o lead não ultrapasse os 300 caracteres.

HISTÓRICO

Durante o período da Guerra Civil Americana (entre 1861 e 1865) os jornalistas precisavam enviar as informações para a redação via telégrafo. As linhas não eram muito confiáveis, principalmente em tempos de guerra. Era muito fácil perder a comunicação. Além disso, eram muitos jornalistas para poucas centrais de telégrafo. A solução encontrada foi estipular uma nova metodologia de escrita.

O primeiro parágrafo a ser enviado deveria conter as informações principais, só depois se daria um jeito para enviar o restante da matéria, parágrafo a parágrafo. Essa estrutura modular se tornou a base daquilo que conhecemos hoje como lead.

Vejamos um exemplo:

SOROCABA – Um homem de 40 anos foi encontrado com vida cinco dias após despencar com a moto de um barranco, na rodovia Luis Augusto de Oliveira (SP-215), em Ribeirão Bonito, interior de São Paulo. Ao ser socorrido, na noite deste domingo, 5, ele relatou aos bombeiros que sofreu o acidente na madrugada de quarta-feira, 1. Com lesões nas pernas, ele não conseguia andar e ninguém ouviu seus gritos de socorro (Texto de José Maria Tomazela, para O Estado de S.Paulo).

O quê? – Foi encontrado vivo um homem que despencou com a moto de um barranco e estava desaparecido havia cindo dias.

Quem? – Neste caso específico não há identificação, sabemos apenas que foi “um homem”. O restante da matéria também não oferece essa informação. É provável que o repórter não tivesse esse dado quando redigiu a notícia.

Quando? – Domingo, dia 05, foi a data em que o encontraram.

Onde? – Na rodovia Luiz Augusto de Oliveira, em Ribeirão Bonito.

Como? – Estava com lesões nas pernas e não conseguia andar. Disse que seus gritos de socorro não eram ouvidos.

Por quê? – Segundo relato da vítima, ele sofreu o acidente na madrugada de quarta-feira, dia 01.

PRATIQUE

Um bom exercício é tentar reescrever o lead das matérias. Basta identificar as respostas e tentar reagrupá-las de formas diferentes. O importante é que as informações básicas sempre estejam presentes.

Esse formato que acabo de mostrar é o do lead clássico. Como eu disse no começo desse texto, existem vários outros estilos, mas é sempre importante começar pelo básico.
A prática constante permite que se faça isso com fluidez e harmonia, por isso recomendo que pratique o máximo que você puder.

José Fagner Alves Santos

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