A Rede Globo de Televisão é foco de várias teorias conspiratórias. Eu também assisti ao documentário “Muito além do cidadão Kane”, de Simon Hartog. Sei do que a emissora é capaz. Mas não acho que ela seja pior do que qualquer outra rede de TV, rádio, jornal, revista, site ou blog.

Todo e qualquer veículo de comunicação funciona, grosso modo, como uma empresa. Todos têm seus próprios interesses. Nenhum deles jamais publicaria uma informação que fosse, de algum modo, prejudicar seu funcionamento, sua administração ou seus ganhos. As empresas existem para dar lucro.

O que muita gente parece esquecer é que, se a Globo não noticiar, há outros canais de TV, há inúmeras emissoras de rádio, existem diversos jornais e revistas. Algum deles dará a correta informação que a Globo distorcer ou deixar de informar.

Dificilmente a Rede Record investigará algum escândalo dentro da Igreja Universal, a Globo, por outro lado, não perderá a oportunidade. Dificilmente a Globo fará uma série de reportagens sobre os seus defeitos e distorções, a Record jamais perderá a chance.

Em resumo: As empresas sempre defenderão os seus próprios interesses – mesmo as empresas de comunicação. Por isso que a variedade é tão importante. Uma empresa sempre servirá como fiscal da outra. Se houvesse apenas a Rede Globo estaríamos perdidos.

“Ah, mas existe a Agência Pública que é totalmente independente!” Não é bem assim. Admiro muito o trabalho AP, mas, também ali, existe um jogo de interesses. Se não financeiro, ao menos ideológico, cultural. É claro que, por não ser uma empresa tão grande, por não ser dependente do dinheiro da publicidade, por não estar atrelada a megaempresários, a AP jamais chegará perto do nível de maquiavelismo da Globo ou qualquer empresa do mesmo porte.

De qualquer modo, sempre que se escolhe noticiar um assunto e omitir outro, sempre que se escolhe um enfoque específico para a pauta, sempre que buscamos determinadas fontes e não outras, sempre que editamos o conteúdo antes da publicação, sempre que fazemos cada uma dessas coisas – ou todas elas – estamos, de alguma forma, manipulando a informação, contaminando-a com nossos preconceitos e percepções.

E não adianta se iludir, todos nós somos preconceituosos. Se não com um assunto, certamente com outros.

Antes que comecem os xingamentos, esclareço que não estou defendendo a Globo. Não tenho nenhum interesse nisso. Se você não gosta da programação, troque o canal, desligue a TV. Só não dá para continuar assistindo às novelas ou ao Big Brother Brasil enquanto fala mal da emissora. Também não seria muito saudável acreditar piamente no que viu em outro canal antes de comparar com outros noticiários ou fontes de informação.
José Fagner Alves Santos

Este artigo faz parte da campanha #PEDAblogBR.