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À ESPERA DOS BÁRBAROS

O que os personagens masculinos de Elena Ferrante têm a nos dizer

Nos livros de Elena Ferrante, todo mundo apanha. Um menino joga uma pedra na cabeça de sua colega de escola, e o sangue jorra; uma mãe enche a filha de tapas, e depois ameaça quebrar as suas pernas; um pai joga a filha pela janela e o vidro estilhaça. Um mafioso, muito apaixonado, dá um murro na cara de sua amada durante um funeral, e a deixa estirada no chão, cuspindo dentes. “Vivíamos em um mundo em que crianças e adultos frequentemente se feriam”, diz Elena Greco, a Lenu, narradora e protagonista dos livros que formam a saga napolitana de Ferrante. “Sangue escorria das chagas, que depois supuravam e às vezes se acabava morrendo.” Nas memórias de Lenu, a Nápoles do pós-guerra, essa Nápoles de sua infância, era um lugar perigoso, “cheio de palavras que matavam: crupe, tétano, tifo exantemático, gás, guerra”. “Também se podia morrer de coisas que pareciam normais”, como ingerir cerejas sem cuspir o caroço ou engolir chicletes por distração. Antes do fim, contudo, fosse ele provocado por doença, crime ou asfixia, imperava a brutalidade. “A vida era assim e ponto final, crescíamos com a obrigação de torná-la difícil aos outros antes que os outros a tornassem difícil para nós.”

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