Todo mundo já percebeu o quanto está difícil manter um diálogo saudável nas redes sociais. Invariavelmente somos alvos de alguma militância raivosa defendendo ideias ou figuras controversas. Excluí meu perfil no Facebook por causa disso. Antes da campanha eleitoral começar oficialmente eu tive a sensação de que o ambiente ficaria insuportável. Preferi manter distância.

O Twitter não está muito diferente. Normalmente, entro querendo acompanhar os principais temas em debate, mas atualmente o assunto se resume às disputas entre este e aquele candidato. Muito triste. Em momentos como esse fico sem esperança no desenvolvimento do meu país. O Whatsapp, única ferramenta de comunicação digital que uso diariamente, está dando nos nervos. A quantidade de correntes e notícias falsas que recebo diariamente é assustadora. Difícil é manter a sanidade mental frente a tantos grupos ensandecidos.

O que mais me impressiona em tudo isso é a segurança com a qual algumas pessoas afirmam os maiores disparates. Eles se acham extremamente instruídos e bem informados. Se acham detentores de alguma verdade secreta que só eles têm acesso. Se você passou os últimos vinte anos da sua vida estudando história política, pouco importa. Afinal, você é apenas um alienado que não consegue enxergar a verdade.

Relutei muito em publicar o texto sobre o Júlio de Mesquita e a contrarrevolução cultural. Era óbvio que ninguém leria até o final (se você leu, é óbvio que está habituado a esse tipo de conteúdo. Não é a sua orelha que quero puxar), como era óbvio que, aqueles que tentassem, desistiriam no meio do caminho por acharem chato demais, por não entenderem o propósito daquilo, por considerarem uma tremenda perda de tempo. Então, por que eu publiquei? Simples. Queria demonstrar o quanto a pesquisa histórica é chata, o quanto exige esforço, o quanto essas pessoas não estão preparadas para um conteúdo um pouco mais denso, o quanto a história não pode ser resumida a chavões. Inclusive, são esses chavões que os pseudo intelectuais tanto gostam de repetir.

Catar duas ou três frases de efeito com o guru X ou Y é fácil. Repetir exaustivamente cada uma dessas frases, com pequenas variações, pode até te dar ares de muito instruído perante os incautos. A vida, no entanto, sempre será mais complexa. Não existem heróis que possam – sozinhos – resolver o problema nacional. Não existe fórmula mágica que garanta a resolução de todos os males. E não adianta gritar com quem discorda de você. A tentativa de impor uma suposta verdade por meio da força só prova o quanto seu pensamento é ditatorial.

A situação do Brasil é preocupante. As opções que provavelmente teremos no segundo turno não são as ideais. O comportamento de nossos patrícios passa longe de ser saudável.

Se você faz parte de uma dessas militâncias, realize uma autoanálise. Assuma suas limitações, reconheça que não sabe tudo. Permita-se compreender que o seu ódio não ajuda em nada neste conflito. Democracia pressupõe aceitar a decisão da maioria, principalmente quando ela vai contra a nossa. É preciso lembrar que o governo reflete os valores daqueles que o elegeram.

Faça a sua parte de modo consciente. Vote, não brigue, não ofenda, não perca amizades. Estamos todos no mesmo barco e sofreremos juntos as consequências do que quer que seja.

Quando chegar a hora de começarmos a reconstruir nossa nação, será preciso agirmos como um só povo.

Seja qual for o resultado da próxima eleição, as consequências não serão as melhores.

Aguardemos.

José Fagner Alves Santos