Outro dia, enquanto fazia uma matéria, fui apresentado a um garoto de 14 anos que me disse sonhar em ser jornalista. Sua mãe, que apresentava o filho toda orgulhosa, queria saber se eu teria alguma sugestão para a futura carreira do moleque.

Em outra época eu ficaria lisonjeado. Essa época passou. Dentro da minha pequena experiência sei o quanto está difícil conseguir emprego no ramo. Trabalhos freelances acabam funcionando como paliativos, mas, mesmo esses, têm se tornado cada vez mais raro.

Não duvido que algumas pessoas ainda consigam manter-se apenas com os ganhos da profissão. Isso, no entanto, não tem sido uma verdade para mim. Recentemente li uma notícia de que um ganhador do Prêmio Pulitzer havia abandonado o jornalismo porque o salário não dava nem para pagar o aluguel . Parece que está difícil até mesmo para os jornalistas excepcionais. Até mesmo pesquisadores do calibre de Ana Bambrilla já admitem publicamente que “não há saída para o jornalismo impresso”.

Diante de uma situação como essas, o que eu poderia dizer àquele garoto ou à sua mãe? Eu não sei. Os cursos de jornalismo estão lotados de alunos pelo Brasil adentro. O diploma não é mais exigido, mas perdura a ilusão de que fazer um curso superior em jornalismo será garantia de emprego, afinal, tem muita gente que mal sabe escrever trabalhando em jornais e blogs pelo interior do País.

A verdade é que um bacharelado em jornalismo não significa nada sem o network necessário. E, tenho a impressão de que, mesmo esse network não fará muita diferença em pouquíssimo tempo. Alguns poucos sortudos têm conseguido se manter com suas produções de conteúdo para a internet. A maioria não é de conteúdo jornalístico, é bom que se lembre.

Respirei fundo e respondi, finalmente, à questão:

-Você deve criar um blog o mais rápido possível. Publique diariamente um texto de, pelo menos, 600 palavras. Isso vai te ajudar a amadurecer o texto te dará uma dimensão do que será o ofício de escrever todo santo dia. Se até os 18 anos você não desistir da empreitada é porque é vocação sincera. Nesse caso, você já terá uma boa noção do mercado digital para começar um empreendimento que seja comercialmente viável.

Disse eu em tom professoral, mas sem saber exatamente do que eu estava falando, enquanto olhava nos olhos do garoto. A mãe me agradeceu, apertou minha mão e seguiu com seu rebento.

Fiquei olhando enquanto eles se distanciavam. Sentia-me um embusteiro. Aquele tipo de idiota que busca dizer qualquer coisa que pareça inteligente, por medo de admitir que não tem a resposta.

José Fagner Alves Santos

Este artigo faz parte da campanha #PEDAblogBR.