Por vários motivos – entre eles está o preço exorbitante da mensalidade – optei por não realizar a matrícula do doutorado. Decisão difícil. A realização acadêmica sempre esteve entre minhas prioridades. O convívio dos últimos anos, no entanto, deixou claro que eu já não tenho saúde física ou mental para suportar ambiente tão insalubre.

Para piorar, minha namorada notou certo culto meu aos títulos e ao diploma. Fez um comentário inocente sobre determinada atitude minha, que foi o suficiente para ligar o sinal de alerta. Sempre critiquei esse tipo de comportamento e agora estou me tornando aquilo que passei a vida combatendo. Minha paixão pela vida acadêmica sempre esteve associada à minha visão romântica, que relacionava conhecimento ao tempo dentro das grandes instituições.

Percebi, a partir daquele comentário feito pela minha futura esposa, que, ao meu modo, eu também cultuo títulos. Quem está dentro da academia, mesmo como aluno de mestrado – como foi o meu caso – percebe que conhecimento e titulação nem sempre estão interligados. Tem muito doutor semianalfabeto e tem muito erudito sem o devido título.

O desligamento do programa de estudos foi libertador. Tenho sentido que o controle da minha vida está de volta às minhas mãos. Posso ler coisas bobas e sem compromisso, não tenho tanta pressão para produzir o tempo todo, posso escrever de forma que as pessoas entendam, posso falar sem medo que não acredito na inocência do Lula, posso até estudar os assuntos que são realmente do meu interesse.

Não quero dizer com isso que estou abandonando a academia de vez. Eu posso e devo retornar algum dia, mas preciso estar preparado. O título, seja ele qual for, precisa fazer algum sentido. O beletrismo pode até impressionar garotos incultos, mas eu já passei da idade. Careço de um cabedal que seja mais útil para as minhas necessidades emergenciais.

Agora preciso cursar uma licenciatura, preciso construir um belo portfólio, preciso voltar ao mercado de trabalho formal e preciso definir o que realmente é importante para mim. O que não me importa eu já sei.

 

José Fagner Alves Santos