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Está difícil acordar no Brasil ou acordar o Brasil

Está difícil acordar no Brasil ou acordar o Brasil
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Por Catharina Apolinário*

Está difícil acordar no Brasil, tampouco dormir tranquilamente. Diariamente nos perguntamos: qual será o absurdo da vez? Pois então. Ricardo Salles, sem nenhum constrangimento, afirma que usará a pandemia, enquanto a imprensa está focada na sua cobertura, para “fazer passar a boiada”, se referindo a mudanças nas leis ambientais. Não poderia ser mais claro. Nem mais mau caráter.

Não é novidade, nos meandros da política, que ações sejam tomadas desta forma, ao apagar das luzes, de maneira sorrateira e planejada. Quantas vezes nos deparamos com leis aprovadas desta forma? Justamente em momentos de crise social, de comoção geral ou de grandes festividades, como a Copa do Mundo, por exemplo. Não é novidade, mas não podemos achar normal. É uma afronta. Um absurdo.

A declaração do ministro Ricardo Salles, que carrega um processo de improbidade administrativa do tempo em que atuou no estado de SP, é imoral e criminosa. O bom disso é que depõem contra ele e contra os grupos políticos que representa. Creio que os partidos pelos quais ele passou devem estar com vergonha. Suas ações quando secretário de estado e suas práticas atuais para executar a agenda antiambiental, e agora, estas declarações nefastas sem nenhum constrangimento, mostram bem o tipo de ente político que ele é.

Não minimizemos sua covardia e ousadia nesta declaração. O antiministro deixa cada vez mais claro que a anistia aos desmatadores, a flexibilização das leis ambientais, o incentivo às atividades criminosas e ao desmatamento, são orquestrados. Seguindo a cartilha do governo Bolsonaro, que sem nenhum constrangimento apresenta, na contramão das boas práticas ambientais implantadas no mundo, compromisso com o extermínio dos povos e comunidades tradicionais, a desarticulação de ações de sustentabilidade e a falta de interesse na preservação das floresta e da biodiversidade, que tem valor inestimável na prestação de serviços essenciais como produção de água, ar e controle do clima.

A história mostra que o desmatamento, a fome, a desigualdade social, foram fatores que nos trouxeram doenças como o COVID-19. Este, que causou a pandemia mundial e que agora o ministro, sem nenhuma sensibilidade e humanidade, deseja usar para camuflar a implantação da sua agenda de maldades. Bolsonaro por sua vez se esforça para burlar as orientações de órgãos internacionais de saúde, ignora os números de mortos no país e as experiencias das cidades do mundo que sofreram com a pandemia, nega e não se comove com a morte das pessoas e com o luto das famílias.

Fora prestar um desserviço à humanidade, Bolsonaro empurra a população do Brasil para um desastre interno em longo prazo quando aceita alto número de agrotóxicos, com o adendo que, para serem economicamente viáveis, estes alimentos abastecerão o mercado interno do país. Ou seja, o veneno será vendido para nosso povo, afinal, estes venenos não são permitidos no exterior. Pesquisas comprovam que os agrotóxicos são um dos maiores fatores causadores do câncer.

Usado esta semana por Mark Zuckerberg como exemplo contra fakenews, o presidente teve seu conteúdo excluído por violar as regras da comunidade virtual divulgando mentiras em sua conta oficial. Na quinta-feira uma juíza do Amazonas aplicou uma sentença ordenando que União. Ibama, ICMBio e Funai trabalhem, imediatamente, realizando “ações de comando e controle para contenção de infratores ambientais – madeireiros, garimpeiros, grileiros” na Amazônia. Ela ainda especifica quais ações e em quanto tempo seja feito.

Bolsonaro e seu governo de bravatas são uma vergonha mundial, nos colocando na posição de chacota internacional, protagonizada por pessoas que se dizem amantes do Brasil acima de tudo. Não, eles são raters. Odeiam tudo que somos, representamos, criamos, preservamos. Este governo de desgoverno, do antitrabalho, do antissocial, da anticultura, do antiturismo, do antimeio ambiente, é também o governo do antibrasil.

O vídeo da reunião ministerial é uma prova de que não é uma piada, não é uma trapalhada, mas uma tragédia sem tamanho pautada numa agenda de maldades. Uma ameaça ao mundo todo. Já está na hora de acordarmos desse pesadelo e tirarmos Bolsonaro do poder pelo bem do país e do mundo.

Autoria: Catharina Apolinário

*Jornalista caiçara, pós-graduada em Controle e Gestão Ambiental, pesquisadora de povos e comunidades tradicionais e cultura popular

Contato do autor: Twitter: @catharinajorn e c[email protected]

Contato site: [email protected]

Imagem: Robert Karkowski por Pixabay

Postagem: Márcio Ribeiro / O Garoçá / Editoria Livre

O autor é o responsável pelo conteúdo publicado nesta postagem

Todos os direitos reservados, junho de 2020

Márcio Ribeiro Sou Jornalista, Guia de Turismo, Monitor Ambiental, Técnico em Lazer e Recreação e Guia de Birdwatching. Sou um caiçara com orgulho das matas da Juréia. Trabalhei na Rádio Planeta FM, sou um dos fundadores do Jornal Bem-Te-Vi e participei de uma reunião de criação do Jornal do Caraguava. Fiz estágio na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Peruíbe e no Jornal Expresso Popular, do Grupo "A Tribuna", de Santos, afiliada Globo. Fui Diretor de Imprensa na Associação dos Estudantes de Peruíbe - AEP. Trabalhei também em outras áreas. Atualmente, escrevo para O Garoçá, Editoria Livre e para a Revista Editoria Livre.

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