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Ex-morador de Peruíbe conta como está a vida na Itália, na região do coronavírus

Por: Márcio Ribeiro (O Garoçá / Editoria Livre)

Há apenas 50 quilômetros da cidade mais afetada da Itália, o brasileiro, Fábio Custódio da Silva, enfermeiro e ex-morador de Peruíbe,  conta com exclusividade como está a situação onde mora, na região da Lombardia, após a chegada do Coronavírus. Ele é casado com uma brasileira, também enfermeira, vive em Boltiere e está há 17 anos na Europa.

Fábio Custódio da Silva, brasileiro e residente na região da Lombardia. Foto arquivo pessoal

NA ITÁLIA

Os números no país não param de subir. Até agora (27/02), são 528 casos contabilizados, com 14 mortes e 42 pacientes curados. Por lá, existem dois focos ligados à doença, sendo um na Lombardia (epicentro em Codogno) e outro menor em Veneto. Há três casos confirmados na Sicília, todos de turistas que estiveram em Bergamo.

” O sistema de saúde da Itália é muito bom e bem estruturado, mas vejo que as coisas aqui vão ficar muito complicadas com o passar dos dias”

 – Fábio Custódio da Silva

NA EUROPA

A Espanha e a Romênia confirmaram os seus primeiros casos de coronavírus e, em ambos os países, os cidadãos infectados viajaram recentemente à Itália. Além deles, França, Áustria, Alemanha, Finlândia, Suécia, Suíça, Bélgica, Croácia, Itália, Reino Unido, Espanha, Grécia, Geórgia, Macedônia do Norte e Noruega também têm casos positivos da doença.

Com medo, as autoridades da Argélia, Rússia e Turquia não recomendam viagens para a Itália e o mesmo procedimento deve ser adotado por Israel.

“Existem muitos casos no país (Itália), porque estão fazendo testes em todo mundo que tem os sintomas. Na minha opinião, todos os países europeus têm o coronavírus, mas o  bode expiatório é a Itália, lembrando que os especialistas dizem que a economia italiana perderá muito dinheiro com o turismo.”

“Espero que tudo se resolva rápido sem grandes consequências, mas a população idosa vai sofrer muito com tudo isso.”

– Fábio Custódio da Silva

Veja um vídeo recente que mostra pessoas com máscaras no Centro de Milão semi-deserto.

NA CIDADE

Na cidade onde reside, os mercados estão com as prateleiras vazias e cancelaram qualquer atividade esportiva em lugares abertos ou fechados. As escolas e universidades tiveram as aulas suspensas, os pontos de ônibus estão vazios e muitas empresas deram folga para os funcionários.

As comemorações do carnaval não aconteceram por lá e o desfile do Milano fashion week ocorreu sem público. Os Shoppings não abriram e as missas e os cultos religiosos estão proibidos até segunda ordem. Os bares e restaurantes só funcionam das 8 às 18 horas e não é permitido reuniões em locais fechados.

“Já tem casos confirmados em Bergamo, que fica há uns 20 quilômetros daqui. Muita gente fez estoque de comida e vão ficar fechados até o pior passar. A galera está entrando em paranoia”

– Fábio Custódio da Silva

Prateleiras vazias nos supermercados de Boltiere, Foto de Fábio Custódio da Silva

NA FAMÍLIA

Muitas famílias tiveram as suas rotinas alteradas e com eles (a família de Fábio) a situação não foi diferente.

Os parques pelos quais costumavam passear estão vazios; os treinos e os jogos de Futebol, Vôlei e Ginástica Artística dos filhos estão suspensos.

As prateleiras nos mercados estão vazias e para comprar as coisas é necessário procurar em até seis lugares diferentes.

“A minha esposa vai trabalhar todo o dia pensando que pode ficar por lá mesmo, em quarentena. “

“Quem está vivendo isso como profissional da área da saúde, está muito tenso. Porque  sabe como é séria a coisa. Acompanhei as notícias da China e a cada dia tinham mais casos e a mesma coisa está acontecendo aqui”

– Fábio Custódio da Silva

Famílias percorrem até seis mercados diferentes para encontrarem as coisas. Foto de Fábio Custódio da Silva

NO HOSPITAL ONDE TRABALHA

O casal de brasileiros quase entrou em quarentena, porém em situações diferentes:

Ela atendeu a um paciente que entrou com AVC, mas o quadro evoluiu para um problema respiratório grave. Fizeram o exame e deu negativo para o coronavírus.

Ele teve o contato com duas pessoas que se aproximaram do médico e do paciente do primeiro caso, aquele profissional da saúde ficou doente,  mas os exames para o novo vírus também deram negativo, felizmente.

“Estamos em estado de alerta. Se [em] qualquer um de nossos colegas der positivo, entramos em quarentena. Estamos formando todo mundo que trabalha lá pra verem os sintomas e sobre prevenção. E não deixando ninguém entrar na histeria coletiva”

– Fábio Custódio da Silva

Veja um vídeo feito com exclusividade, nele é possível notar as estradas vazias na Itália, no horário em que ela estaria normalmente cheia.

NO BRASIL

Fábio, que já trabalhou no sistema de saúde público, disse que a saúde no Brasil deixa muito a desejar e teme a chegada de uma epidemia destas no país, por acreditar que os idosos, a população mais carente,  aqueles com o sistema imunológico fraco, os que têm problemas oncológicos ou com doenças crônicas descompensadas serão as mais vitimadas.

Apesar disso, ele está tranquilo com a toda a situação e tenta acalmar os amigos e os familiares, dizendo que na Itália ele está protegido da dengue, tuberculose, violência e outros problemas do cotidiano brasileiro.

“A única tensão é de ficar de quarentena no trabalho, até porque tem as crianças e não temos família aqui, mas já combinamos com uma amiga nossa de ficar com as crianças, caso isso aconteça. Essa é a única preocupação que temos.

Não estamos preocupados em ficar doentes, até porque 80% dos infectados têm sintomas de uma gripe normal e as crianças não sofrem com esse tipo de vírus.
Se for como a última gripe que peguei, tá tudo certo”

– Fábio Custódio da Silva

“As pessoas estão ficando paranoicas”, imagem ilustrativa de Michal Jarmoluk por pixabay

A DOENÇA

Não existe confirmação concreta de qual foi a principal porta de entrada do vírus na sociedade. A Organização Mundial da Saúde indicou que os primeiros casos da doença surgiram na cidade de Wuhan, localizada na China Central. Essa é uma cidade comercial, dividida por rios, e possui muitos parques e lagos. Consequentemente, isso faz com que pesquisadores acreditem que a fonte primária do novo coronavírus esteja no mercado de frutos do mar da cidade ou que tenha se espalhado através de animais.

Outros casos de coronavírus também foram identificados nos seguintes países: Japão, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Arábia Saudita, Estados Unidos da América e Brasil.

Como essa é uma infecção que afeta o sistema respiratório, alguns cuidados com as vias aéreas são necessários para se manter longe de qualquer possibilidade de transmissão do coronavírus. Ainda não existe nenhuma vacina ou antibiótico que previna a infecção, mas testes e estudos já estão sendo realizados em busca da cura.

O Ministério da Saúde (MS) recomendou evitar viagens à China como forma de prevenir contaminações. No entanto, as precauções de contágio são importantes para evitar a propagação de doenças infecciosas de qualquer etiologia, inclusive a desse novo vírus.

Fique atento aos seguintes cuidados:

  • Evitar contato próximo com pessoas doentes e que tenham infecção respiratória aguda.
  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabão, usar um antisséptico para as mãos a base de álcool em gel, principalmente, após contato direto com pessoas doentes e antes de se alimentar
  • Usar lenços descartáveis para higiene nasal (nada de lencinhos de pano!)
  • Cobrir nariz e boca sempre que for espirrar ou tossir com um lenço de papel e descartar no lixo
  • Higienizar as mãos sempre depois que tossir ou espirrar
  • Evitar tocar em olhos, nariz e boca com as mãos não higienizadas
  • Manter ambientes muito bem ventilados
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal como copos, garrafas e talheres
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência
  • Evitar contato com animais selvagens ou doentes

Esse são hábitos diários que podem ajudar a impedir a propagação de várias doenças, inclusive essa nova infecção viral.

Não existe um período de incubação exata para quem contrair a doença. Os últimos casos de suspeitas no Brasil estão recebendo isolamento, mas presume-se que o tempo de exposição ao coronavírus e o início dos sintomas ocorra no período de até duas semanas.

“É uma gripe nova, ninguém tem anticorpos pra ela e a virulência dele  é muito alta. O que se pode tentar é fazer com que a taxa de morte seja baixa”

-Fábio Custódio da Silva

Imagem ilustrativa do Coronavírus, de Gerd Altmann por pixabay

Texto e Reportagem: Márcio Ribeiro

Imagens: Créditos das imagens na legenda

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