Já há alguns meses que venho me sentindo cansado. Acordo com dor de cabeça, com vontade de continuar dormindo, um pouco tonto. Durante o dia meu rendimento tem caído. Minha capacidade de concentração vai diminuindo. Manter o foco se torna, cada vez mais, uma tarefa árdua e angustiante.

Nem preciso dizer que procurei investigar a raiz de tal problema. Percebi que não existe uma causa única. Vamos começar pelo começo:

Sofro com rinite e bronquite asmática. O fato de estar morando em São Paulo não ajuda muito. Dormir é sempre uma luta. Se está frio, a bronquite ataca; se está quente, eu sofro com o ar seco.

E tem o bruxismo. A maior parte dos meus dentes – incluindo os caninos – estão completamente desgastados de tanto que os ranjo durante a madrugada. Essa é, segundo meu dentista, uma das causas de eu acordar quase sempre com dores de cabeça e no maxilar.

Para piorar, descobri que estou com aquilo que se convencionou chamar de ansiedade da informação. Calma, eu explico. A quantidade de informação que produzimos atualmente é muito superior a de qualquer época anterior a nossa. Li em algum lugar que um cidadão médio recebe mais informação em um mês do que um indivíduo receberia em toda sua vida se tivesse nascido três gerações atrás. Como se não bastasse, algumas pessoas – eu incluso – desenvolveram uma espécie de transtorno, não conseguem desligar. Estão sempre consumindo mais informação do que são capazes de assimilar.

Desde que comecei o mestrado, aumentei a minha carga de leitura, escrita e interação social. Não abri mão de nenhuma atividade que já praticava antes. Resultado: estafa.

Recomendação do analista: foque naquilo que é de extrema importância e desenvolva alguma atividade lúdica. Estou tentando passar menos tempo no Netflix, menos tempo lendo textos que não são para as disciplinas do mestrado, menos tempo em discussões sem sentido. Comecei a desenvolver uma horta em vasos plásticos. Comprei alguns vasilhames, terra, adubo e sementes.

As primeiras cenouras já começaram a brotar.