Se for dizer com algum otimismo, o carnaval de Peruíbe está passando por uma transformação, mas não dá pra esconder que ele ainda busca uma identidade.

A cidade foi, há alguns anos, a única na Baixada Santista a ter o desfile das escolas de samba, mas a tradição das agremiações “Menina Flor”, “Dos Pescadores”, “Maria Assombração”, entre outras, e o último suspiro dado com a “União dos Prados”, “Caraguava” e “Geração Primeira” não existe mais.

Havia os blocos sim, mas estes eram tratados pela administração municipal e pelos turistas como segunda opção, tanto é que já aconteceu de um famoso bloco desfilar clandestinamente em um ano que não conseguiu autorização para circular na cidade. Os blocos resistiram graças aos esforços dos organizadores e moradores.

Agora, sem os desfiles, eles passaram para os holofotes e tornaram-se a atração principal, com destaque para três: “Bloco das Virgens”, “Bloco da Estação”e o “Bloco MiLeva Queuvou”

Bloco das Virgens. Foto de Lelo

O “Bloco das virgens” está muito bem, muito obrigado. Vem ganhando mais força e a cada ano atrai mais foliões. Neste ano, o comentário geral foi que bateu todos os recordes pela multidão que atraiu, preenchendo quase que completamente toda a extensão da Avenida 24 de dezembro. Teve quem percebeu alguns jovens bêbados caídos nas calçadas e algumas brigas ao longo do percurso. Jooji Tominaga foi justamente homenageado na camisa oficial das virgens. Ele era um assíduo frequentador do desfile e muito querido por todos, mas que hoje mora no céu.

Valussi canta no Bloco da Estação. Foto Lelo

O Bloco da Estação continua bom. É gostoso pular o carnaval ao som da banda que toca marchinhas ao vivo. É tradicional na sua essência: Tanto na forma de fazer o carnaval quanto na história do grupo e de cada um dos seus componentes.  É nele que mais encontramos as pessoas de Peruíbe. Uma pena que o desfile às terças não acontece mais pois, em alguns anos, o último dia do carnaval tinha performance melhor do que a de domingo, só com foliões que realmente amam a agremiação. Há quem conteste a opinião deste artigo e goste da bateria estática de terça-feira. Destaque para o “inoxidável” Valussi, que cantou com muito vigor, mais uma vez, em meio aos foliões.

No ano passado, O “Bloco MiLeva Queuvou” não foi destaque nesta coluna, o que pode ter sido um erro. Como não falar das produções, sempre competentes, da Família Riggo? Quanto ao bloco, sucessor do “Quem me viu mentiu”, faz muito bem em desfilar às segundas-feira, ao invés de domingo. Não é justo dois blocos de “gente de Peruíbe” saírem no mesmo dia. Tem tudo para crescer e se consolidar ainda mais como uma das principais atrações da cidade. A programação à  parte feita pela organização, que não se restringe somente ao bloco, deveria constar na divulgação oficial da cidade para que todos fossem informados sobre tudo o que rola por lá.

Banda Camaleões pronta para o show. Foto facebook Camaleões

A Banda Camelões continua como destaque positivo. Se apresentando os quatro dias na Praça Matriz, o grupo tocou marchinhas de carnaval com excelência e não deixou ninguém parado. Fazer o carnaval em frente a igreja contribui para a presença da família, o que não acontece, em geral, quando a folia é na praia.  Foi o terceiro ano consecutivo que a prefeitura prepara este tipo de atração. Com o sucesso obtido, pode ser uma tendência que deve marcar a administração Luiz Maurício, mas que pode acabar com a troca de prefeito. Vale lembrar que na época do Sodré as marchinhas eram tocadas na quadra onde hoje está o finado espaço cultural Chico latim. Quem sabe está aí o resgate de uma tradição antiga da cidade e de uma identidade perdida?

Apesar dos Camaleões, falta alguma atração de peso oferecida pela prefeitura: Um som? Um bloco oficial? Algo a se pensar? Um trio elétrico? É preciso que se faça um pouco mais do que apenas apoiar os blocos. Neste ano, não constou na programação oficial a apresentação da bateria da Escola de Samba Unidos do Caraguava, no entanto, espalhar banheiros químicos ao longo do trajeto dos desfiles foi uma decisão acertada. Ainda bem que não teve shows cancelados desta vez, como os da Arena Peruíbe no ano passado, que prejudicou em muito a imagem do município.

Havia outras atrações espalhadas por diversos pontos da cidade, mas O Garoçá não possui equipe suficiente para acompanhar tudo o que acontece, mas pode se dizer que nenhuma delas sobressaiu, ou melhor, não foi possível dizer que uma estava melhor do que a outra. Curioso ver na programação da cidade o CarnaRock durante os quatro dias de festejos, mas ao mesmo tempo não se vê nada nas redes sociais ou qualquer outro comentário do evento. Quem sabe o Garoçá passa por lá no próximo ano para contar para vocês? Existe espaço para qualquer uma delas cruzar as fronteiras do bairro com o “seu barulho”, para se tornar uma das principais atrações da cidade.

Como exemplo disso, o  Bloco do Turco saiu na sexta, reunindo poucos foliões mas todos muito animados. Será um bloco promissor ou uma jogada de marketing política?  Tomara que se torne mais uma opção para os foliões da cidade.

Dá pra perceber que o caminho está aberto para as atrações de carnaval em Peruíbe, mas a impressão que fica é que não há mais espaço para os desfiles das escolas de samba, ao menos na orla da praia. A Prefeitura não consegue dominar o local e mostra que não tem qualquer comando por lá. Falta iluminação pública e segurança. Jovens se drogam por toda a parte e até na praça do Posto de Informações Turísticas, ocupado por guardas municipais. Mas, de acordo com o que falam nos botecos, o que anda às bocas e o que combinam nos grupos de whatsapp, existem algumas possibilidades, ideias novas e outras antigas aguardando um pequeno incentivo para se desenvolver. E o momento pode ser esse, quando não há ainda uma identidade definida no carnaval peruibense.  Mas, antes de tudo isso, é preciso saber qual o carnaval que queremos para Peruíbe. Você sabe dizer?

Texto, Criação e Autoria: Márcio Ribeiro

Fotos:  Lelo e reprodução facebook

Postagem: Márcio Ribeiro / O Garoçá

Todos os direitos reservados

Falhas, omissões, críticas e elogios: ogaroca@bol.com.br