Parece um título pretensioso, colocado nesta matéria, mas a Portuguesa Santista teve sim a oportunidade de barrar ou adiar a ascensão da carreira de Mano Menezes, atual técnico do Cruzeiro, ex-Corinthians e seleção brasileira.

Como? Para poder explicar esta história, é preciso voltar ao ano de 2003, quando ela encantou o futebol brasileiro, durante o primeiro semestre.

O Campeonato Paulista daquele ano foi disputado por 21 equipes, divididas em três grupos e  a Santista foi a primeira colocada no grupo 2, onde estavam o São Paulo e Santos. O Time da Vila Belmiro havia vencido o brasileiro do ano anterior com a dupla Robinho e Diego, mas eles nem sequer se classificaram para as quartas de final.

Pronto! A Lusinha comandada por Pepe já fazia história e para ela ficar mais bonita, bastava empatar com o Guarani, em jogo único, para se classificar para a semifinal.

Passar para a fase seguinte não foi nada fácil, pois o empate sem gols com o time de Campinas foi dramático e ao final da partida o técnico Pepe caiu no choro e abraçou todos os jogadores em campo.

Nas semifinais, a Briosa foi derrotada pelo São Paulo. O terceiro lugar conquistado naquele ano rendeu a classificação para a série C do Brasileiro e também para uma inédita participação na Copa do Brasil do ano seguinte.

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Mas sabem o que isso tem a ver atual técnico do Cruzeiro? Tudo! Pois foi exatamente esta combinação de resultados que fez com que os destinos do clube e técnico se cruzassem.

O primeiro adversário da Portuguesa Santista na Copa do Brasil foi o improvável vice-campeão gaúcho, o XV de Novembro de Campo Bom, do então desconhecido técnico Mano Menezes, que só havia dirigido equipes de menor expressão do sul do país. No estadual, deixou para trás equipes tradicionais como o Gremio, Juventude e Caxias.

A primeira partida foi disputada no sul, no estádio Sady Schimidt, com capacidade para 2.000 pessoas. A Santista conquistou um ótimo resultado ao empatar em 1×1 com o time da casa, marcando primeiro com Beto, aos 14 minutos do segundo tempo, mas cedeu o empate cinco minutos depois, quando Dauri empatou a partida.

A impressão que ficou é que a vaga já estava encaminhada pois, na partida de volta, uma vitória simples daria a vaga para a equipe da Baixada Santista, que ainda poderia empatar sem gols para avançar a fase seguinte.

No jogo da volta, disputado no Ulrico Mursa, o resultado não foi o esperado, apesar do grande apoio da torcida presente. Logo aos 10 minutos do primeiro tempo, Canhoto marcou para a equipe gaúcha e nem bem a Briosa se refez do susto, Belmonte fez o segundo sete minutos depois, deixando o placar em 2×0 para os visitantes.

Surpreendido, o time da casa correu muito atrás do prejuízo, mas nada parecia dar certo. O primeiro gol só saiu aos 13 minutos do segundo tempo e, novamente sete minutos depois, Nando voltou a marcar igualando o marcador e renovando as esperanças dos torcedores.

O jogo ficou eletrizante e disputado, mas o terceiro gol não saiu. A vaga ficou mesmo com o XV de Novembro que, mesmo empatando as duas partidas, se classificou com os dois gols marcados fora de casa.

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O que Mano Menezes não sabia é que o zagueiro da Portuguesa Santista, o Chicão, hoje aposentado, seria o seu capitão no Corinthians cinco anos depois. Talvez, nenhum deles imaginaria um futuro tão bonito, para dois personagens desconhecidos, que foram adversários em uma partida sem mídia, disputada por dois times modestos.

Esta heroica classificação contra a Santista embalou o time do Rio Grande do Sul que, nas fases seguintes, passou pelo Vasco da Gama, Americano, Palmas e avançou até a semifinal da Copa do Brasil, quando foi parada pelo Santo André, que se tornou o campeão daquele ano.

Este resultado valorizou muito o trabalho de Mano Menezes, colocando-o em evidência para todo o país, o que lhe rendeu o convite para assumir o Caxias e, posteriormente, o Grêmio, onde começa a história mais conhecida do treinador.

O que seria de Mano Menezes se a Portuguesa Santista tivesse ganhado aquele jogo na primeira fase da Copa do Brasil? Será que Mano Menezes chegaria onde está? Ou estaria ele perambulando pelo interiorão de nosso futebol brasileiro a espera de uma boa oportunidade para mostrar o seu trabalho?

Veja a ficha do jogo de volta da Copa do Brasil, entre o XV de Novembro e a Portuguesa Santista

Copa do Brasil
3/3/2004 20:30
J: Carlos Jorge Lopes Moreira-RJ Público: 680 Renda: 4,750.00
E:Ulrico Mursa,Santos-SP
Portuguesa Santista-SP 2 x 2 XV de Campo Bom-RS

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Portuguesa Santista-SP
Cristiano; Édson Cafu (Leandro Barbosa 11/2), Valdir, Chicão, Fabinho; Leandro Moreno, Axel, Reinaldo (Valmir 41/2); Marlon, Beto
(Gileno 10/2), Nando. Técnico: Nenê

 

 

 

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XV de Campo Bom-RS
Marcelo Pitol; Borges Neto, Luiz Oscar, Jairo Santos, Canhoto; Romeu (Júnior 17/2), Márcio, Perdigão, André Duarte (Carlos
Rogério21/2); Tiago Belmonte (Maico 15/2), Dauri. Técnico: Mano Menezes

 

 

 

Cartões Amarelos: Marcelo Pitol, Luiz Oscar, Romeu, Perdigão, Tiago Belmonte, Dauri
Cartões Vermelhos: Márcio 18/2, Carlos Rogério 38/2
Gols: Canhoto 10/1T, Tiago Belmonte 17/1T, Nando 13/2T, Nando 20/2T

Nota: Apesar de terem de destacado nos campeonatos estaduais daquele ano, o futuro promissor de ambas equipes não aconteceu. Atualmente, a Portuguesa Santista joga a terceira divisão do paulista, após passar anos na quarta divisão do estadual, enquanto o XV de Novembro de Campo Bom encerrou as suas atividades do futebol profissional no ano de 2008.68758_ori_ulrico_mursa
Curiosidades: A Portuguesa Santista foi a primeira equipe da América Latina a ter cobertura de concreto na arquibancada do seu estádio, o Ulrico Mursa, inaugurado em 1920. A Portuguesa Santista é mais velha que a Portuguesa da capital e foi inspiração para a fundação da Portuguesa Carioca, fato registrado no próprio site do xará do estado vizinho.

Reportagem e Pesquisa: Márcio Ribeiro
Pauta e texto: Márcio Ribeiro
Imagens: internet
Fonte: Revista Placar / A.A. Portuguesa / E.C. XV de Novembro e Rodrigo Vilela
Postagem: O Garoçá

Márcio Ribeiro
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