Parece que o título do artigo saiu de Game of Thrones, não é mesmo?

Sou a primeira pessoa da família a ter curso superior. Um cenário comum em nosso país. Existe muita expectativa em torno. Demorei alguns anos para decidir que curso escolher. Escolhi graduação tecnológica.

Poderia dizer que minha vida universitária teve quatro grandes ciclos mentais:

  1. Todos sabem meu nome no segundo dia de aula.
  2. Quero ser a melhor.
  3. Não aceito colocar nome de malandro que não fez nada no projeto.
  4. Não aguento mais e quero que tudo acabe.

Vamos fazer um salto no tempo e pular para o TCC. Aquele momento crucial dos cursos de graduação. Neste momento, já estava cansada da faculdade. De como as coisas funcionam. Estamos no quarto ciclo.

É claro que queria tirar boa nota no projeto final, mas estava bem cansada. Afinal, trabalhei e estudei em toda graduação assim como a maioria dos mortais. Minha parceira de TCC compartilhava do mesmo sentimento.

Nosso TCC consistia em um website completo, funcionando perfeitamente em diversos dispositivos móveis. Junto ao website, toda documentação escrita. Precisávamos encadernar várias cópias, enviar versões em CD. Também era preciso criar e imprimir um banner para o dia da apresentação. E o cliente não poderia ser fictício. A deadline era o final do semestre.

Posso dizer que, deu tudo certo. Confiava totalmente na pessoa que fez o projeto de conclusão junto comigo. Estava tranquila que ela, assim como eu, ofereceria seu melhor.

Mas o que me chamou atenção em todo projeto não foi o curto tempo que tínhamos mas em como as coisas funcionavam.

Não podíamos escolher nosso orientador. E como sou azarada, nos vimos agraciadas com um orientador que particularmente considerava medíocre como profissional.

Ao longo do tempo, percebemos que nossos processos eram dificultados. Na sala de aula, precisávamos chamar várias vezes. Aguardá-lo terminar um papo furado ou correr a fim de bater o recorde de cadeira executiva — de rodinhas — para tentarmos alguma orientação.

Como era o objeto de ódio do orientador, minha parceira de TCC tinha mais sorte em obter atenção. Mas preciso confessar que o horror era recíproco.

O website do cliente não estava às mil maravilhas. Sabíamos que não seria nota máxima. Trouxemos o projeto para a realidade do tempo que tínhamos. E por isso, caprichamos em toda documentação e apresentação. Foi considerada uma das melhores. Um dos professores disse que tínhamos talento para o palco. Mas sempre gostei mais dos bastidores.

Eis a nota do projeto final.

O orientador nos deu um feedback sobre dispositivos móveis para embasar o motivo pelo qual nosso projeto não receberia nota elevada. Não expressamos vontade de reunir argumentos para contestar. Mas sabia que estava fora de contexto, ao pé da letra. Existe uma série de pormenores a cerca de dispositivos móveis que ele não poderia exemplificar em 5 minutos de conversa. Por isso, sua base teórica era incorreta. Como o orientador era um dos jurados e sua nota parecia basear-se em arrogância exagerada, acreditava que sua verdade era inquestionável.

Oito e meio já estava bom para duas mulheres cansadas.

Ao sair do teatro em que nos apresentamos, nos sentimos aliviadas. Nervosa, comi toda a jujuba de um dos coleguinhas que também havia se apresentado. Até hoje não sei o nome dele mas aquela jujuba salvou minha vida.

Autoridade não é título que alguém empurra goela abaixo. Tem a ver com o quanto você pode inspirar outras pessoas a serem melhores.

Autoridade, se conquista.