História: Conheça algumas doenças que assustaram Peruíbe nos anos 70 e 80
Não é a primeira vez que Peruíbe sofre com o surto de alguma doença ou mesmo uma epidemia. Ao longo da história da cidade, outras situações também causaram medo ao povo, semelhante ao que se passa nos dias de hoje.
Peruíbe já sofreu até com uma doença considerada nova para o país na época e que ficou conhecida como o “Mal de Peruíbe”, entre outras enfermidades…
Confira algumas histórias que estão nesta publicação, cujo material reunido só foi possível graças a ajuda do professor de história, Fábio Ribeiro*.

Nova doença nacional, “O Mal de Peruíbe” (1975)
Uma doença, parecida com a Meningite e que empesteou Peruíbe em 1975, intrigou os cientistas da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo na época, pois ninguém sabia o que era e havia a preocupação que ela se alastrasse para outras partes do estado.
As equipes enviadas para a região acreditavam que a enfermidade era causada por um vírus de importação, isto é, vindo de um país latino americano. Os médicos afirmaram que a doença não se parecia com a Encefalite, apesar dos poucos recursos e a falta de aparelhos destinado a eles para fazerem tal afirmação.
A Secretaria de Saúde passou a recomendar aos turistas que procurassem outros lugares para passear, mas os prefeitos, com o apoio dos habitantes locais, fizeram um protesto contra o ato, interessados na animação de seus comércios pelos forasteiros de fim de semana e preocupados em perder um pouco da renda local.
Mongaguá passou a negar a existência da nova doença brasileira, que ficou conhecida como o “Mal de Peruíbe”.
As informações são do Jornal “A Luta democrática” e foi publicado em 1975, veja o recorte do impresso.

Meningoencefalite deixa Peruíbe deserta e muitos estão abandonando a cidade (1975)
Peruíbe teve problemas com a Meningoencefalite, em 1975, onde 85 pessoas foram infectadas. No Bairro dos Prados, onde as condições de higiene na época eram precárias, 4 pessoas foram hospitalizadas somente em um domingo. As autoridades ficaram preocupadas por que a doença resultava em 20% dos óbitos.
No episódio dos Prados, a assistência foi realizada por três médicos e duas ambulâncias. As autoridades do município reconheceram a pronta ajuda, mas consideraram a ação do estado pequena e a extensão do mal alarmante. O último doente a ser recolhido foi uma menina de 12 anos, que chegou ao hospital Guilherme Álvaro, em Santos, agonizante.
Segundo informações da época, a Secretaria de Saúde prometeu instalar um hospital de emergência para evitar que a doença, já em caráter epidêmico, se propagasse a outras regiões do Estado.
O Secretário de Saúde apelou para a população não procurar as praias da cidade e disse que a identificação do vírus e do seu hospedeiro era a principal meta, a fim de evitar que a epidemia se espalhasse.
A pasta iria providenciar a nebulização das salas de aula, hospitais e locais de encontro da população e adiantou que medidas como a suspensão de aulas não aconteceriam.
A cidade que tem o melhor clima do Estado teve um final de semana deserto. Os bares e restaurantes, já quase sem movimento, fecharam cedo e a população estava abandonando a cidade.
As informações são do Jornal “A Luta democrática“ e foi publicado em 1975, veja o recorte do impresso.

Epidemia de encefalite na Baixada Santista ainda não teve o seu agente transmissor identificado
A Encefalite preocupou autoridades e moradores da Baixada Santista, também em 1975, principalmente por que o número de casos subia ao mesmo tempo que o Instituto Adolfo Lutz não conseguia identificar o seu agente transmissor
A notícia dada pelo pesquisador que trabalhava no caso não era animadora, pois veja o que foi dito na época:
“Trata-se de uma espécie de vírus totalmente desconhecida e a sua identificação vai demorar pois, em cinco dias de pesquisas, foram utilizados ou 6.200 animais sem qualquer resultado positivo.”
A situação preocupou as autoridades, pois dos três casos registrados em fevereiro na região, o número subiu para 58 em março e, apenas na primeira quinzena do mês seguinte, já eram 43.
Sem que se descobrisse o agente transmissor, as autoridades médicas temiam que o surto continuasse subindo.
12 milhões de doses serão empregadas contra a Meningite em São Paulo
12 milhões de vacinas chegariam para tentar conter o avanço da Meningite, que aumentava na capital paulista.
Até aquele dia, eram 81 doentes, três mortos e outras 689 estavam nos isolamentos da cidade. O número de internamentos das últimas 72 horas foi o maior verificado no ano e a lotação de 300 leitos do Hospital Emílio Ribas foi superada, isto é, não tinha mais condições de receber os doentes.
As autoridades médicas negaram-se a fazer qualquer comentário sobre o aumento da doença na capital.
As informações são do Jornal “A Luta democrática” e foi publicado em 1975, veja o recorte do impresso.
Sucen constata surto de Malária em Peruíbe e redobra vigilância (1983)
Peruíbe teve um surto de Malária em 1983 que por aqui também era chamada de Maleita.
O surto foi constatado pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) que descobriu quatro casos em bairros do município, por meio de exames de sangue da população.
A Malária estava sob controle no país, mas ainda existiam regiões onde o movimento migratório era intenso e a população é mais pobre, como no litoral sul paulista.
Como no ano anterior tinham sido detectados cinco casos, as autoridades médicas consideraram que se configurou um surto em Peruíbe.
Ainda naquele ano, as autoridades sanitárias estavam preocupadas com a possibilidade da ocorrência de um surto de Hepatite, em Santos e estavam dispostos a acionar os recursos municipais estaduais para frear a doença, caso fosse necessário
As informações são do Jornal “O Diário de Pernambuco“, publicado em 1983, veja o recorte do impresso.

Edição e Adição de Texto: Márcio Ribeiro
Pesquisa: Márcio Ribeiro e Fábio Ribeiro*
*Professor de História da Rede Pública e Mestre em História Social pela FFLCH/USP
Imagens: Creditadas no local
Fonte: Biblioteca Nacional
Contato: [email protected]
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Sobre o autor
Sou Jornalista, Técnico em Turismo, Monitor Ambiental, Técnico em Lazer e Recreação e observador de pássaros. Sou membro da Academia Peruibense de Letras e caiçara com orgulho das matas da Juréia. Trabalhei na Rádio Planeta FM, sou fundador do Jornal Bem-Te-Vi e participei de uma reunião de criação do Jornal do Caraguava. Fiz estágio na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Peruíbe e no Jornal Expresso Popular, do Grupo "A Tribuna", de Santos, afiliada Globo. Fui Diretor de Imprensa na Associação dos Estudantes de Peruíbe - AEP. Trabalhei também em outras áreas. Atualmente, escrevo para "O Garoçá / Editoria Livre" e para a "Revista Editoria Livre."