Peruíbe 66 anos: Os desafios para preservar a vocação turística e ambiental

Peruíbe completa 66 anos e, mesmo com a pouca idade, enfrentou lutas contra usina nuclear, termoelétrica e porto, propostas predatórias que poderiam mudar a vocação e a identidade da cidade, conhecida por suas belezas naturais e ecoturismo.

Não adianta vencer as batalhas contra as usinas se a cidade não consegue evoluir e trabalhar para usufruir todo o potencial que a natureza dá, pois, os jovens que querem ficar na cidade precisam de empregos e uma nova proposta de tal magnitude pode surgir novamente, visto que o futuro repete o passado, caso o cenário permaneça o mesmo.

Se os prefeitos eleitos insistirem em dar as secretarias da cidade para amigos ou pessoas que não possuem formação na área, a cidade seguirá sem evoluir e poderá não ter forças quando propostas “do tipo usina” surgirem novamente.

Políticos interessados em vantagens pessoais insistem em verticalizar a cidade como se o único modelo de progresso existente na vida é copiar Praia Grande. Quem pensa assim não tem amor nenhum pela cidade e pode muito bem comprar um dos tantos apartamentos à venda no Boqueirão ou Guilhermina, e assim satisfazer o seu desejo de morar em uma cidade chapada…, de prédios.

As enchentes que afogam as esperanças de parte dos moradores são um desafio para o novo prefeito, pois o seu antecessor não conseguiu fazer muito e nem mesmo os anteriores. É preciso fazer algo urgente para que tal situação não volte a acontecer e, se vier, que seja menos catastrófico e os seus efeitos sejam minimizados. Não tem muito o que esperar. É trabalhar pelo povo sem qualquer tipo de prosopopeia.

A zeladoria deixa a desejar e a cidade passou quatro anos afundada no mato, com um corredor central onde fica a linha do trem praticamente transformado em um corredor ecológico de tanto mato que cresceu ali, deixando a cidade insegura. É até bonito falar assim, mas é um pesado desespero para quem trafega de noite pelo local ou cruza a linha à pé.

Falar em segurança, a cidade que é considerada a mais violenta do estado, de acordo com os números do Instituto Sou da Paz, precisa dar mais tranquilidade aos seus turistas, moradores e evoluir no ranking, pois tais números não somam em nada para uma cidade que vive do turismo.

Os pontos turísticos que dependem da prefeitura não funcionam. Sorte da cidade que a maioria dos atrativos são naturais, criados e mantidos gratuitamente pela natureza, pois no que dependesse na administração municipal, nada tinha.

O novo prefeito precisa dar uma atenção na periferia e não seguir a linha de amedrontar os mais pobres, como fizeram outros. Por mais que se diga o contrário, esse é o sentimento de quem mora nos bairros mais afastados e principalmente daqueles que não tem condições de morar em um dos tantos condomínios de luxo que a cidade ergueu, mas que trabalham, acreditam na cidade e precisam de assistência e atenção do poder público.

Se derrubam barracos de gente pobre na periferia em nome da preservação, que não liberem os enormes condomínios que custam grande trecho de mata, onde cimentam tudo e deixam no máximo uma palmeirinha exótica que nem passarinho quer.

A saúde de Peruíbe não está boa, o hospital precisa ser finalizado e entregue ao povo. Se assim não for, que ao menos não sirva de palanque político ou obra eleitoreira.

Cadê o Centro de Convenções? O que houve com o Chico Latim? As Ruínas estão abertas ou fechadas? E o mirante da torre vai ficar abandonado até quando?

Que a identidade da cidade seja mantida. Que a vontade popular seja ouvida. Que os protestos nas redes sociais sejam considerados. Que não atirem e não tirem o pouco da história que resta como foi feito com o mosaico do tubarão, por exemplo.

A cidade precisa evoluir preservando as suas características, mas sem esquecer a sua história, a sua luta e o seu povo.

Feliz aniversário, Peruíbe.

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Texto artigo: Márcio Ribeiro

Foto: Márcio Ribeiro

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Sobre o autor

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Sou Jornalista, Técnico em Turismo, Monitor Ambiental, Técnico em Lazer e Recreação e observador de pássaros. Sou membro da Academia Peruibense de Letras e caiçara com orgulho das matas da Juréia. Trabalhei na Rádio Planeta FM, sou fundador do Jornal Bem-Te-Vi e participei de uma reunião de criação do Jornal do Caraguava. Fiz estágio na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Peruíbe e no Jornal Expresso Popular, do Grupo "A Tribuna", de Santos, afiliada Globo. Fui Diretor de Imprensa na Associação dos Estudantes de Peruíbe - AEP. Trabalhei também em outras áreas. Atualmente, escrevo para "O Garoçá / Editoria Livre" e para a "Revista Editoria Livre."


One Reply to “Peruíbe 66 anos: Os desafios para preservar a vocação turística e ambiental”

  1. PLÍNIO EDGAR B DE C MELO

    Muito bom o texto. Descreve bem o caráter, ou falta de, de nossos governantes. Apenas acrescento uma opinião:
    -Peruíbe nunca foi cidade turística. Peruíbe é cidade de Veraneio. Os atributos naturais não servem pra quase nada (refiro-me à visitação) com chuva.

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