Publicado na Revista Editoria Livre 11

Crônica: Há bib’s? Não há bib’s? Não sei o que é bib’s!

De: Márcio Ribeiro

O cliente ainda é o mais importante em uma loja, não?

Será que estou errado? Veja o meu caso:

Era um ensolarado dia de verão e eu levei a família para curtir uma cachoeira.

Foi tudo perfeito. A água estava uma delícia e desfrutamos da beleza e os prazeres da Mata Atlântica paulista.

Na volta, bateu aquela larica (fome, para os mais letrados) e resolvemos conhecer uma famosa loja de esfihas que abriu recentemente na cidade. Paramos o carro e entramos.

Eu estava de bermuda, chinelo havaianas e com os pés sujos de areia. A minha esposa estava de chinelo, shorts e a parte de cima do biquíni.

Logo de cara, uma moça tentou jogar um balde de água fria e disse taxativa: “Vocês não podem entrar na loja deste jeito. São regras da casa”

Parei, me sentindo um invasor com tamanha delicadeza da moça, e respondi:

– Está calor e estamos em uma cidade litorânea. Qual é o problema?

Ela disse:

-“É que não pode entrar assim. Vocês têm que sair

A moça falou em um tom autoritário e convicta, no salto alto de uma atendente mau-paga de multinacional. Com tantos desempregados no país, pode até ser que a moça esteja certa. Eu, até poderia me sentir culpado de infringir tão importante  regra e ensaiar umas desculpas, mas não, me senti muito ofendido.

Minha consorte, mais objetiva e racional, tentou se desculpar e me puxou para voltarmos ao carro para que ela pegasse uma camisa, mas eu a segurei e voltei a ter com a moça:

– Só vou pegar umas esfihas e sair, não vou ficar aqui. Posso ver as opções?

Ela não me deu, mas apontou uma mesa onde estavam os cardápios. Fiquei vendo as opções tentando demonstrar tranqüilidade, mas no fundo eu estava azedo e pensando: Não podem tratar um cliente assim. Aquele comércio e toda a sua estrutura existe para me atender. Por que a moça não falou direito comigo? O que eu fiz de errado? Pombas, vou deixar meu suado dinheirinho aqui? Por que não ensinam a tratar bem o cliente?

Meu achego chamou:

-Márcio!

– Espera! Estou escolhendo, disse a ela.

-Márcio!

-Estou vendo as opções. Calma!

-MÁRCIO!

– Mas que é, pombas?

– Já escolheu?

-Não. Não vou comprar nada aqui! Vamos embora!

Ela e a atendente me olharam surpresas e saí daquele estabelecimento rumo ao meu Chevrolet 98.

– “Mas o que foi desta vez, Márcio? Perguntou ela, já acostumada com as minhas atitudes.

– Não vou deixar meu dinheiro aí. Vamos embora, vamos comer em outro lugar.

 E o dia de um passeio maravilhoso estava se estragando feito esfiha velha.

Ela, minha filha e mais duas crianças me encaravam com fome. Havia ódio naqueles olhares e me senti um vilão. Todos me fizeram sentir culpado.

Bastava eu ceder mesmo e seguir as regras? Por que eles não cederam às minhas! Eu sou mais importante do que aquela pitomba de comércio. Aliás, todos nós juntos somos mais importantes que qualquer comércio estabelecido em nossa cidade.

Conclui pensando em um empate: Eles têm outros clientes e não estão nem aí pra mim, da mesma forma que existem outras esfiharias e eu não estou nem aí pra eles…

Passei em uma concorrente do meu bairro. Esfiharia local. Fui muito bem atendido e levei muitas esfihas para casa….

Nunca  mais pus os pés naquele lugar…

Texto e Autoria: Márcio Ribeiro

Imagem: pizzariasabor.com.br

Contato: [email protected]

Publicado originalmente na REVISTA EDITORIA LIVRE, edição 11

Veja a edição completa clicando aqui

 

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