Press "Enter" to skip to content

Educação Financeira

Publicado em 30 de julho de 2015 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Na última década, um número considerável de brasileiros saiu do aluguel para desfrutar a casa própria, viajou de avião pela primeira vez, trocou o transporte público pelo carro, entre inúmeras outras regalias advindas principalmente da ascensão da classe C. A oferta de crédito estimulada pelo governo e a redução dos juros foram alguns dos pontos cruciais que contribuíram para potencializar o poder aquisitivo populacional. Mas, os excessos de gastos governamentais, a falta de produtividade e de investimentos prejudicaram o orçamento nacional e agora quem está pagando a conta é a população, com o aumento de impostos, desemprego e elevação geral dos preços.

Com a adição de mais de 40 milhões de brasileiros na última década, a classe C é uma das mais atingidas. A consultoria Plano CDE aponta que metade de suas famílias já acumula uma conta atrasada, de boletos de cobrança a faturas do cartão de crédito, principalmente face à falta de planejamento financeiro, deixado de lado muitas vezes pela euforia da ascensão econômica e do aumento do poder aquisitivo. Por isso é fundamental dotar os consumidores da chamada Educação Financeira.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), educação financeira é “o processo mediante o qual os indivíduos e as sociedades melhoram a sua compreensão em relação aos conceitos e produtos financeiros, de maneira que, com informação, formação e orientação, possam desenvolver os valores e as competências necessários para se tornarem mais conscientes das oportunidades e riscos neles envolvidos (…)”.

Essa afirmação sintetiza tudo o que o cidadão precisa para viver bem economicamente. Mas esta “informação, formação e orientação” deve ser passada desde cedo, para que as pessoas já cresçam e amadureçam conscientes da importância de se poupar, como investir suas economias e lidar com as mais diversas situações e operações financeiras. Por isso, a educação financeira nas escolas, sejam públicas ou privadas, é tão essencial.

No Brasil existe uma mobilização multisetorial em torno da promoção de ações de educação financeira no Brasil chamada de Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF). Segundo o próprio site da ENEF, a estratégia foi instituída como política de Estado de caráter permanente, e suas características principais são a garantia de gratuidade das iniciativas que desenvolve ou apoia e sua imparcialidade comercial, entre elas está a educação financeira nas escolas.

Mas acredito que é preciso atuar mais intensamente, como, por exemplo, com a obrigatoriedade da educação financeira em todas as instituições escolares públicas e privadas, contando com instrutores formados e devidamente preparados para abordar o assunto, não somente com os alunos, como também com os funcionários das escolas. Medidas como estas favorecem uma ascensão econômica medida não pela quantidade de bens, mas sim pela qualidade (formação e orientação).

Be First to Comment

Deixe uma resposta