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O caos imperante no bolso do cidadão brasileiro

O caos imperante no bolso do cidadão brasileiro
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Passado mais de um mês que a greve dos caminhoneiros paralisou o Brasil, o caos nacional que aparenta ter cessado, continua a imperar na política e na economia do país. Iniciada numa segunda-feira, no dia 21 de maio de 2018, a greve atingiu os 25 estados brasileiros mais o Distrito Federal.  A paralisação foi uma forma de manifestação contra a elevação acumulada de 21,5% do diesel desde julho de 2017, diante de uma inflação de apenas 2,76% nos últimos 12 meses, segundo IPCA.

No terceiro dia de paralisação, o caos já se instalara com o quase esgotamento dos estoques de combustível em diversos estados, estradas interditadas, preços ainda mais altos etc. Os resquícios da greve se prolongaram durante dias, mesmo após seu término, já que o combustível não chegou a todas as regiões do país no mesmo período.

Diante do caos instalado, o então presidente da Petrobrás, Pedro Parente, anunciou uma redução de 10% no diesel, mas apenas por 15 dias, mas os caminhoneiros não estavam interessados em melhoras temporárias. O governo então prometeu reduzir, por 60 dias, em 0,46 R$ o preço do diesel, extinguir os reajustes diários e tornar mensal a revisão de preços. Para arcar com o prejuízo de 5 bilhões até dezembro, o Planalto afirmou que recorrerá à União.

O aumento do preço do diesel, num cenário de alta do dólar e do preço do barril do petróleo, é fruto de uma política de reajuste de preços da Petrobrás que acontece desde julho de 2017. Concretizada por Pedro Parente, a política determinou que os preços de derivados do petróleo comercializados pela estatal poderiam acompanhar diariamente as mudanças internacionais da cotação do óleo cru. O governo viu em tal medida uma forma de voltar a valorizar a Petrobrás, retaliando a política adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff de controle de preços para subsídio dos combustíveis.

Se a política de contenção de preços adotada por Dilma não foi a melhor solução para a manutenção do equilíbrio econômico, promover reajustes diários tampouco será. Em uma entrevista publicada com Jean-Paul Prates, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, ele explica como tal medida extrema não faz parte da cultura política daqui. “É como se quisessem fazer tudo de modo completamente oposto ao governo anterior. Mas o Brasil nunca teve essa cultura de reajustes em tempo real. A política anterior não era só da Dilma, ela vinha desde a década de 1950, passando pela ditadura e abertura democrática. Todos os governos praticaram algum tipo de administração na tarifa. Não se pode pular assim para outro extremo.”

Ele também citou o exemplo de países como os EUA e a Alemanha que contam com reservas estratégicas de petróleo, contrariando a visão errônea de que países desenvolvidos adotam a política de preços flutuantes para estimular a competitividade. Os EUA, por exemplo, possuem 500 milhões de barris de reserva estratégica para o caso de um aumento inesperado ou de desastres naturais. Prates não é a favor do congelamento de preços, mas defende a implementação de um imposto de amortização para tempos de alta.

A Federação Única dos Petroleiros apontou Pedro Parente como principal responsável pela atual crise, devido à mudança na política de preços, que resultou numa redução  da carga de refino do país. Segundo a federação, o refino está sendo operado em 70% de sua capacidade. Assim, optou-se por exportar o petróleo cru, refiná-lo no exterior e importá-lo a preços mais elevados. Medida que, diante da elevação do preço do barril e do dólar, tende a agradar apenas a um pequeno grupo de investidores – com o aumento do caixa da estatal – e a oferecer sérios prejuízos para a população brasileira, por refletir no aumento dos preços dos produtos e serviços, já que o custo para o transporte será maior.

Num país considerado como um dos maiores produtores de petróleo do mundo e como o maior da América Latina, este é apenas mais um cenário fomentador da desigualdade social em que poucos se beneficiam financeiramente. O caos instalado pela greve terminou, mas, e quanto ao caos gerado no bolso da população por políticas desestruturadas que parecem não cessar nunca?

Mariana Mascarenhas Mestra em Ciências Humanas. Jornalista. Especialista em Metodologia do Ensino na Educação Superior e em Comunicação Empresarial. Blogueira de Cultura e Economia. Assessora de Comunicação. Sou apaixonada por programas culturais – principalmente cinema, teatro e exposição – e adoro analisar filmes, peças e mostras que vejo (já assisti a mais de 150 espetáculos teatrais). Também adoro ler e me informar sobre assuntos ligados à economia nacional e internacional para escrever e debater as informações.

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