Foto Adriano Dória 

A cada ano, milhões de pessoas, de várias partes do Brasil, saem de suas casas rumo a um mesmo destino movidas pela fé e pela devoção popular. Trata-se do Santuário Nacional de Aparecida, que recebe, anualmente, 17 milhões de fiéis e compreende uma área de quase 72 mil m2.

Toda esta devoção começou na região de Guaratinguetá, interior de São Paulo, onde, segundo a tradição, há mais de 300 anos, em 1717, três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, encontraram a cabeça e o corpo de uma santa de barro e, logo em seguida, pescaram muitos peixes numa época não propícia para a pesca. Desde então, de acordo com a tradição, outros milagres aconteceram expandindo a devoção de Nossa Senhora Aparecida, como ficou conhecida a imagem, padroeira do Brasil.

A história se expandiu de tal forma que o primeiro Santuário, inaugurado em 1743, mal podia comportar tamanha multidão. Assim, em 1888, foi construído um Santuário maior. História que faz parte da cultura e do cotidiano de milhões de brasileiros não poderia deixar de ser contada também nos palcos. E foi, exatamente, essa a ideia do autor Walcyr Carrasco ao escrever o musical Aparecida, em cartaz no Teatro Bradesco.

O espetáculo mescla presente e passado para contar não somente a história de devoção da padroeira, como também a de um casal dos tempos modernos que passa a ter uma relação mais próxima com Nossa Senhora Aparecida. Trata-se de Caio (Leandro Luna) e sua esposa Clara (Bruna Pazinato). O marido é um advogado materialista e ganancioso preocupado, unicamente, em enriquecer cada vez mais. Sua situação muda quando ele perde a visão, devido a um tratamento que fizera contra um câncer. Descrente em voltar a enxergar, sua esposa tenta convencê-lo a ter fé, o que não será uma tarefa fácil.

Paralelamente a história do casal, o elenco traz com maestria a história da Padroeira, desde o encontro da imagem pelos pescadores, passando pelos primeiros milagres, entre outros fatores que marcaram a sua trajetória. O espetáculo conta com 33 atores, 12 músicos, 20 canções originais, dezenas de figurinos e cenários, além de 23 mudanças de cenários. A cenografia do espetáculo está impecável com destaque para as reproduções de algumas partes da Basílica, incluindo as ambientações internas do Santuário que se destacam pelas obras de Cláudio Pastro (1948 – 2016), um dos maiores artistas sacros contemporâneos. Além disso, as movimentações e mudanças cenográficas são feitas pelo próprio elenco numa continuidade cênica que se torna ainda mais atraente para a plateia.

Outro aspecto que chama a atenção em relação ao cenário é a inovação interativa envolvendo projeções de vídeo e os próprios atores, os quais parecem estar, realmente, nos cenários projetados. Diversas coreografias também são realizadas para “ilustrar” todo o movimento contido na história que segue a mobilizar milhões de brasileiros.

Enfim, trata-se de um musical para todos os públicos e que pode sensibilizar até mesmo os mais céticos em relação à fé, pois, vai muito além da religião para tratar de uma história que já está enraizada na cultura do Brasil.

Serviço:

Musical Aparecida

Onde: Teatro Bradesco: Bourbon Shopping – Rua Palestra Itália, 500, loja 263 – 3° Piso, Perdizes. Bilheteria: domingo a quinta, das 12h às 20h; sexta e sábado, das 12h às 22h.

Informações: (11) 3670-4100. Vendas em teatrobradescosp.uhuu.com

Quando: sextas às 21h, sábados às 16h e às 21h e domingo às 15h e às 19h30

Quanto: R$ 75 a R$ 220

Até 5 de maio

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