Vem com o vento e vai sem se despedir. Essa necessidade de pensar demasiadamente e traduzir em palavras todo o turbilhão de ideias e sensações percorre corpo e mente. Aproximo-me de completar seis anos de experiência em Design. E com as cicatrizes da profissão, você automaticamente se permite fazer aquela perguntinha infame:

O que é Design?

Ninguém, em época nenhuma, será detentor da verdade absoluta a cerca disso. Temos o elemento tempo, principal dirigente da evolução e transformação. Mas meu amigo Rogério Fratin reuniu possíveis definições para tal questão em seu blog.

Design é entrega. Seja ela mensagem ou entrega de si mesmo. Para designar é preciso projetar, de dentro para fora. Design é cientificar, dar ciência a algo. Se projeto, informo e cientifico. Designo.

Se pensa que design é sentar o bumbum na cadeira e abrir seu pacote Adobe, alguém te enganou. Design tem a ver com espera e persistência. E um bom padeiro sabe que o tempo é o ingrediente principal para um bom pão.

Mas tempo não quer dizer distância, mas respeito. Designar que uma mensagem precisa ser compreendida por alguém ou grupo de pessoas não é tarefa instantânea. Requer domínio. Por muitas vezes, design significou dor, sofrimento, angústia, desespero e descontrole. Projetar me fez chorar, querer largar tudo e pensar que talvez não servisse para tal coisa. Porque Design é ter consciência que não vencemos o tempo todo. Trata-se de abraçar derrotas, até que uma vitória aconteça.

Sempre acreditei que ser designer é explorar eternamente. Não apenas por estudarmos o tempo inteiro, mas pela real necessidade de investigar aquilo que está abaixo das camadas rasas. Essa consciência e eterna insuficiência de satisfação pelos materiais investigativos foi a maior inspiração para criar um blog. Eis o motivo pelo qual falei anteriormente sobre cientificar. É preciso instruir as pessoas sobre como a escassez de apuração investigativa nos deixa em um eterno limbo de incertezas.

Tenho como compromisso, escrever materiais úteis e eles não aparecem do nada. Apurar, pesquisar e desenvolver requer tempo. Por isso, meus artigos são publicados em espaços longos de tempo e isso não vai mudar. Não sei ao certo o motivo, mas senti necessidade de escrever um texto mais pessoal, expor minhas ideias sobre design.

Esse ano, tenho desacelerado e filtrado aquilo que absorvo. Descadastrei de muitas newsletters inúteis sobre o assunto. Evito o consumo exorbitante de materiais superficiais e ou inspirações sobre design. E passei a questionar ainda mais. Isso me permitiu enxergar as coisas por perspectivas amplas. Não estou dizendo que artigos rápidos sobre design são ruins. Até porque os compartilho na página do Red Potion, no facebook. Estou dizendo apenas que isso não me serve mais.

Ainda não sei dizer exatamente o que é isso que procuro no Design. Mas tenho certeza que mergulhar nessas camadas mais intrínsecas me fará crescer ainda mais. Vamos juntos?

Créditos
Imagem: pexels.com
  • Rogerio Fratin

    Vamos juntos, CLARO, Senhorita Felix!

    A parte do teu texto que diz “Design tem a ver com espera e persistência. E um bom padeiro sabe que o tempo é o ingrediente principal para um bom pão” é tão de verdade que até li várias vezes pra ouvi-la ecoar dentro da minha cabeça.

    Nesses anos todos, em conversar quase informais, tentava puxar o assunto sobre a definição de design. Quase sempre eu recebia entortadas de narizes. Talvez, antes de tudo, porque eu seja chato. Mas logo depois, de fato, me parece que o mercado não promove uma discussão como essa. Não lembrar o que é o design, o que ele pode fazer, o que já fez, como cresceu desde que era confundido com artesanato até agora pode arruinar um pouquinhozinho por dia nossa profissão, eu creio. Se tornaria fazer sem pensar, fazer sem projetar, fazer sem designar. Aí lascô, né? Se nem nós, os guardiões da profissão, não soubermos do que somos capazes e como medir se nosso trabalho está funcionando, o que sobra?

    Como sempre, ótimos questionamentos no teu blog.
    Muito obrigado!

    • Como havíamos conversado via whatsapp, somos guardiões, e temos o dever de mostrar aos outros que esse tipo de discussão precisa existir. Muito obrigada por participar disso, junto comigo! 🙂