Publicado em 31 de agosto de 2015

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Considerada uma das obras literárias mais famosas do mundo, com cerca de 143 milhões de exemplares, O Pequeno Príncipe – publicado em 1943 pelo escritor francês Antoine de Saint-Exupéry (1940 – 1944) – ganha agora uma nova versão para os cinemas que está em cartaz desde o dia 20 de agosto em forma de animação.  Apesar de ter o nome idêntico ao do livro, o longa não se resume a contar apenas a história da obra em si, mas vai além, ao trazer a vida de uma menina, dos tempos mais atuais, altamente controlada pela mãe em tudo o que faz.

Um dos seus maiores desejos é ver a filha matriculada numa escola de grande prestígio, o que acaba virando até mesmo uma obsessão por parte da mãe, resultando num rígido preparo e treinamento com a menina. Mas a vida da pequena se transforma quando, após não passar no teste para o renomado colégio, a mãe decide se mudar com ela para um condomínio próximo a instituição e estabelece um planejamento rigoroso de estudos para a filha seguir, durante as férias de verão, e assim ingressar na escola.

Todavia seus planos sofrem uma grande mudança quando ela conhece seu vizinho: um senhor que foi aviador por muitos anos e guarda em sua casa o avião que o acompanhou por um longo tempo. Depois de tentar pilotar o avião e uma das hélices ir parar na casa da menina, ambos se aproximam, e o vizinho lhe apresenta o mundo do Pequeno Príncipe, contando a ela como se conheceram.

A menina descobre então um novo universo de sonhos, fantasias e sentimentos que vai muito além de sua vida regrada e metódica. Quando seu vizinho vai parar no hospital, temendo perdê-lo para sempre, ela vai atrás do pequeno príncipe em busca de respostas para seus questionamentos, mas se surpreende muito com o que vê.

Dirigido por Mark Osborne, a grande sacada desta trama é a crítica que ela faz as prisões sociais existentes nos dias de hoje, desprovidas de sentimentos verdadeiros e regada a preocupações excessivas e prejudiciais com dinheiro, sucesso, carreira e trabalho de modo geral.

A cor cinza predomina em grande parte do filme sobre imagens simétricas e idênticas, denotando a grande “prisão” que submetia as pessoas. A própria relação entre a mãe e a filha – marcada muito mais pelo cumprimento de deveres e horários por parte da menina, do que por uma aproximação carinhosa e de amor entre as duas – explicita a frieza e robotização do contato humano.

Contrariando esse universo “cinza e robótico, o vizinho da garotinha e sua casa sempre aparecem trabalhados em cores vivas, assim como na representação da história que ele conta a ela. Essa vivacidade colorida funciona como uma quebra ao cinza, denotando que o vizinho jamais havia deixado a sua criança interna morrer dentro de si. A repetida imagem do avião também transmite ao público a ideia de liberdade trazida pelo filme e o faz refletir o quão prisioneiros de nós mesmos podemos ser nos dias de hoje.

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