Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Teorias da conspiração sempre existiram. Uma delas contesta até mesmo a ida do homem à Lua. Você já sabia dessa? Pois é! Para quem não sabia, há afirmações, inclusive, de que a primeira pisada do homem na Lua não necessariamente aconteceu lá e sim num deserto, por meio de uma simulação norte-americana para enganar o mundo e vencer a tão disputada corrida contra a Rússia em mostrar-se o melhor na Guerra Fria. Ausência de imagens de pessoas segurando uma câmera no satélite, bandeira trêmula dos EUA num lugar onde não há gravidade, entre outros fatores, fortalecem tais teorias.

Em Estrelas Além do Tempo, o público pode se surpreender com a revelação dos verdadeiros heróis – ou, melhor, heroínas – que ajudaram os EUA a levar o homem ao espaço e posteriormente à Lua, dadas as adversidades e conservadorismo da época.

Na trama, Katherine (Taraji P. Henson), Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Monaé) são três mulheres negras que trabalham na NASA e vivem nos Estados Unidos da década de 60. Apesar de serem dotadas de mentes geniosas na área de exatas e informática, as três personagens veem seus talentos serem explorados e ao mesmo tempo ocultados pela agência espacial, que reluta em reconhecer suas contribuições.

Todas sofrem preconceitos e entraves diante da discriminação racial fortemente presente na época – e que infelizmente ainda ecoa pelo mundo nos dias de hoje, ainda que não seja como em décadas passadas: enquanto Katherine – a principal matemática que faz os cálculos, responsáveis por levar o homem ao espaço, numa sala cheia de homens que a observam desconfiantes – alterna seu trabalho entre idas e vindas ao banheiro, muito longe de sua sala, já que na época o banheiro de brancos e negros era separado; Mary batalha para conseguir uma autorização judicial que lhe permita estudar engenharia, já que era negra e não poderia; e Dorothy contesta não ser promovida à supervisora, já que atuava como tal mas não era reconhecida.

A sintonia de Octavia, Taraji e Janelle na incorporação de personagens de forte personalidade e ousadia é destaque na atratividade do longa. São memoráveis as formas como as personagens lidam com as situações de preconceito, cheias de coragem e até mesmo usando de sarcasmo para responder a certas provocações. O destaque vai para a atriz Octavia Spencer, engajada no seu papel de uma mulher forte, determinada e que não admite que lhe cometam desaforos e muito menos com suas colegas. Há vários feitos heroicos cometidos por ela ao longo da trama, em defesa de suas colegas negras.

A atriz concorre ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e possui todos os créditos para recebê-lo. Com direção de Theodore Melfi, Estrelas Além do Tempo também concorre ao Oscar de Melhor Filme e Roteiro Adaptado. A trama possui um grande apelo emotivo que pode encantar ainda mais por ser baseado em fatos reais.

Com diálogos simples e direto, o filme atrai principalmente devido à forte presença cênica das três atrizes principais, que praticamente sustentam toda a trama. A atuação de Octavia já havia conquistado em Histórias Cruzadas (2011) – onde ela atua como uma empregada doméstica que, ao lado de outras empregadas negras, lutam contra preconceitos. E desta vez não foi diferente, pois a história de superação de sua personagem nos faz torcer por ela a cada minuto do longa, assim como acontece com as personagens de Taraji e Janelle. Há uma predominância de cores mais fortes especialmente no figurino das personagens, o que para mim simbolizou um ar de esperança e novos pensamentos libertadores tentando pairar sobre antigos conservadorismos e preconceitos.

 

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