Publicado em 17 de agosto de 2015 

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

Com cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados e ocupando mais da metade de todo o território brasileiro, a Amazônia, maior floresta tropical do mundo, é considerada o pulmão do planeta. Mas, apesar de toda sua riqueza natural, a situação para os milhões de brasileiros que habitam o local – entre eles cerca de 430 mil indígenas, segundo o Censo IBGE 2010 – se revela muito hostil e aquém das condições sociais desejáveis.

Enquanto nas diversas partes do Brasil os cidadãos sentem no bolso os efeitos da crise, muitos amazônidas sequer sabem o significado de crise econômica. Apesar de grande parte deles ter acesso aos noticiários pela televisão, muitos mal conseguem percorrer o lugar onde vivem, tendo como único meio de transporte o fluvial, o qual leva horas ou até dias para chegar a uma escola ou a um hospital.

Um terço dos amazônidas encontra-se completamente isolado, sem acesso a luz, água potável, serviços de saúde e escola (dados de 2009). Em meio à crise econômica nacional e ao consequente desemprego elevado, a solução seria então incentivar a debandada de amazônidas para grandes metrópoles brasileiras? Certamente não, a solução pode e deve estar na própria região onde vivem, desde que o governo adote uma gestão mais integradora para com eles.

Na capital amazonense, por exemplo, o Polo Industrial de Manaus responde por cerca de 85% da produção e 92% dos impostos arrecadados no estado. Seu crescimento se deu com a ajuda da isenção fiscal, que atraiu diversas indústrias para a região e, o que é melhor, sem precisar derrubar uma única árvore para tal.

O Polo tem alguns entraves como as enormes distâncias e a infraestrutura em logística, já que o acesso a Manaus é feito somente por meio de avião ou barco. Além disso, a energia é alimentada pelo óleo diesel – a maior parte da energia gerada na Amazônia vem das termelétricas, altamente poluidoras. Existem diversos projetos de hidrelétricas e obras em atrasos no local por causa de questões judiciais que questionam o impacto ambiental. Todavia, estas usinas, muito mais que as termelétricas, são ainda o meio mais viável de geração de energia para sistemas de alta potência, já que a energia solar é cara e de baixa potência. Além do mais, as hidrelétricas por fio d’água, como Belo Monte, embora questionadas, causam menor impacto ambiental.

Mas o fato é que, diante do potencial econômico trazido pelo Polo Industrial, outras iniciativas deveriam surgir pela Amazônia fomentando o emprego baseado em desenvolvimento social e ambiental sustentável no local, pois é preciso melhorar a qualidade de vida de seus habitantes com medidas econômicas sustentáveis alternativas às de mera exploração ambiental.

Portanto, o governo deve saudar a Amazônia e seus habitantes, que precisam ser acolhidos com saúde, educação, segurança – a região registra altos índices de criminalidade por disputas de terras, principalmente – e emprego, para que possam contribuir para a produtividade brasileira, fazendo realmente parte de nossa nação e, o mais importante, se sentindo parte dela.

 

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