Não há como pensar nos musicais clássicos que se eternizaram na história do cinema, sem recordar uma das cenas já consagradas na Sétima Arte: o ator Gene Kelly (1912 – 1996), astro norte-americano que se destacou como ator, dançarino, diretor e coreógrafo, dançando e sapateando sob uma tempestade, enquanto segura seu guarda-chuva. Já identificou de qual longa se trata, não é mesmo? O clássico Dançando na Chuva (1952), dirigido por Stanley Done e Gene Kelly, que também contou com a participação de uma das maiores estrelas dos estúdios MGM entre 1950 e 1960: Debbie Reynolds (1932 – 2016).

Passados 65 anos da estreia deste clássico, o longa ganhou versão teatral em português e foi parar no palco do Teatro Santander, em São Paulo, onde ficará em cartaz apenas mais uma semana – até 17/12/17 – e cuja temporada teve início em 12 de agosto de 2017. Com direção de Fred Hanson e direção musical de Carlos Bauzys, o espetáculo tem aproximadamente 150 minutos de duração, com intervalo. A ideia de montar o musical partiu da atriz e dançarina Claudia Raia que, após acompanhar o espetáculo em Londres, decidiu comprar os direitos autorais da obra e produzir a versão brasileira, mas, segundo a artista, sem configurar-se como uma cópia da versão londrina ou da Broadway.

Mantendo sua fidelidade ao longa de 1952, a versão teatral brasileira traz ao palco os atores Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello – casal na vida real – interpretando os astros cinematográficos Lina Lamont e Don Lockwood. Amplamente conhecidos e amados pelo público, em razão dos filmes de sucesso que fazem, todos do cinema mudo, pois o espetáculo se passa em 1920. Lina e Lockwood fingem ser um casal para atrair maior atenção da mídia e de seus fãs.

Tudo começa a mudar a partir da chegada dos filmes falados, que se revelam uma ameaça para o cinema mudo e, consequentemente, para as produções dos protagonistas. O que se resolveria com a participação de Lina e Lockwood em longas sonoros, acaba sendo um grande entrave, pois a atriz mal pode abrir a boca, nem mesmo para dar entrevistas, sob o risco de arruinar sua carreira e até mesmo o estúdio onde os filmes são rodados em razão de sua voz terrivelmente desafinada e aguda. Com a chegada de Kathy Selden (Bruna Guelrin), uma atriz que demonstra ter grande talento vocal, Lockwood se encanta por ela e a vê como uma solução para os filmes falados, o que não agrada a Lina nem um pouco.

O grande investimento em cenário e figurinos é perceptível pelo capricho dispendido em cada um. Há várias trocas de cenário e figurinos ao longo da peça, para encanto do público. Em conjunção com esses elementos, coreografias bem-feitas e sincronizadas conferem maior vivacidade ao espetáculo. Não há como deixar de destacar o talento de Jarbas Homem de Mello especialmente para a dança, incluindo o sapateado, ao longo de toda a peça. A cena mais memorável certamente é a que ele dança sob uma forte chuva que cai de verdade no palco, sendo ovacionado pela plateia. Mello parece encarnar Gene Kelly no teatro diante de seu brilhantismo.

 Já Claudia Raia mostra a versatilidade de sua profissão ao encarar, desta vez, uma personagem que não permite demonstrar seu talento para o canto e a dança, como de praxe em sua participação em musicais, mas, para a comédia, de uma forma diferenciada. Pois sua personagem não canta e nem dança, mas exige um grande desafio de mudança de voz – quase irreconhecível – o qual é muito bem encarado pela atriz. No decorrer do musical, Guelrin também revela sua grande potência vocal e envolvimento com seu papel. Certamente um musical que fica marcado para todos aqueles que o assistem.

Serviço:

Musical Cantando na Chuva

Onde: Teatro Santander – Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2041, Vila Olímpia, São Paulo – SP. Tel: (11) 4003-1022

Quando: quinta e sexta às 21h; sábado às 17h e às 21h e domingo às 16h e às 20h.

Quanto: R$ 50,00 a R$ 260,00

Até 17 de dezembro de 2017