“A VIDA É UM CABARET MEU BEM”, este é um dos trechos marcantes de Cabaret, quando a atriz Claudia Raia, que vive a protagonista da história, a prostituta Sally Bowles, entoa a canção ­­­­­­­­­­­­“A vida é um Cabaret” – canção adaptada para o português – no palco do Teatro Procópio Ferreira.

De Joe Masteroff, Jonh Kander e Fred Ebb, Cabaret foi lançada pela primeira vez em 1966 chegando a ir para os telões em 1972, sob a direção de Bob Fosse e participação de Liza Minelli no papel principal. Com adaptação de Miguel Falabella e direção de José Possi Neto, o musical, que se despede do Teatro Procópio Ferreira, traz a história da prostituta Sally Bowles que vive em Berlim e cuja vida se resume a fazer shows em um bordel.

A trama foca o envolvimento de Sally com Cliff Bratshaw (interpretado por Guilherme Magon), um escritor e professor de inglês norte-americano, recém-chegado de seu país de origem. A dançarina do bordel acaba indo morar no mesmo quarto de pensão que Cliff e eles passam a pensar em formas de conseguir mais dinheiro, já que a situação não andava nada bem para eles.

A história se passa no período de pré-ascensão do nazismo e também traz um caso de amor paralelo, entre uma alemã e um judeu, mas, em razão do temor da alemã de ambos sofrerem nas mãos de nazistas, o casal acaba se separando

O Mestre de Cerimônias do Cabaret é quem aparece durante quase toda a trama relatando os dramas vividos pelos personagens, além de atuar em vários números musicais. O personagem é interpretado pelo ator Jarbas Homem de Mello que, com uma excelente atuação, se torna um dos destaques do musical, como um grande cantor, dançarino e ator da peça.

A atriz Claudia Raia também confere uma excelente interpretação através de sua personagem Sally Bowles, além de uma brilhante voz em canções cantadas por ela. Vale ainda destacar a atuação de Guilherme Magon, que trabalha muito bem a mudança temperamental de Cliff: apesar de aparentar ser uma pessoa calma, seu personagem vai se estressando, principalmente quando Sally não entende algumas de suas decisões.

O espetáculo conta com um belo cenário constituído por um bordel, presente no palco durante todo o tempo da peça, com vários espelhos próximos aos atores e também sobre a plateia, proporcionando maiores efeitos luminosos e imergindo os espectadores para um bordel da década de 20. Os figurinos também são muito bem trabalhados, como os da protagonista Sally, sendo alguns repletos de cristais que encantam e causam efeitos de luminosidade em meio a refletores e espelhos que cercam o palco.

Vale a pena conferir as conturbações de Sally, Cliff e os demais personagens e entender por que “A vida é um Cabaret”.

Por Mariana Mascarenhas