Nós vivemos num planeta de cerca de 7.6 bilhões de habitantes. Dá para pensar neste número em seu sentido literal? Sabe-se que são muitos e que aumentarão ainda mais. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a população humana poderá chegar a mais de 11 bilhões até 2100. Quantias difíceis de serem pensadas, mas que se tornam rapidamente fáceis quando consideradas apenas a população mais rica da humanidade.

De acordo com dados da ONG britânica Oxfam, divulgados em janeiro de 2017, as oito pessoas mais ricas do mundo concentram a mesma riqueza que a metade mais pobre da população mundial. Ou ainda: os 1% mais ricos detêm 50% de toda a riqueza mundial. Os dados da ONG foram publicados num relatório intitulado “Uma economia a serviço dos 99%”, que mostra a acentuação das desigualdades, fomentadas por grandes corporações e indivíduos mais ricos que sonegam impostos, reduzem salários e aumentam rendimentos para acionistas.

Mas talvez o que mais incomode a população não seja a desigualdade, mas o senso da falta de justiça. Em um artigo publicado na revista científica Nature Human Behaviour, chamado “Por que as pessoas preferem sociedades desiguais? ”, pesquisadores chegaram à conclusão de que os indivíduos preferem viver em um mundo onde haja desigualdade. Eles chegaram a tal resposta, após a constatação de que muitas pessoas se irritam ou se frustram quando inseridas numa situação em que todos são tratados de modo igualitário, independentemente de merecerem ou não tal tratamento, segundo suas próprias concepções de justiça.

Por isso, os pesquisadores ressaltam que, antes de falar em desigualdade, é preciso, primeiramente, entender seu significado, e que sua concepção abrange três defesas distintas: igualdade de oportunidades – independente da experiência, orientação sexual, gênero etc – igualdade de recompensas – distribuição de benefícios com base na meritocracia – e igualdade de resultados – os quais são os mesmos para todos, independentemente do que tenham feito ou não. A compreensão das distinções é fundamental para a formulação de planos que tentem ao menos minimizar o nível de desigualdade econômica.

Uma das soluções apontada pelos pesquisadores é focar na população mais necessitada de ajuda. E ao discorrer sobre tal aspecto é preciso chegar à abordagem de que nem todos são beneficiários das mesmas oportunidades, o que dificulta o acesso de muitos aos direitos básicos à alimentação, saúde e educação. Portanto, pensar na redução da desigualdade de oportunidades já se configura um caminho, cujas medidas devem ser amplamente discutidas e, principalmente, colocadas em prática. Pois muito já se fala, mas pouco realmente se faz.

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