Salão Oficina das Palavras movimenta o Fest Contas e valoriza literatura regional em Ipiaú

Entre os dias 2 e 4 de outubro de 2025, o município de Ipiaú, no sul da Bahia, recebeu o primeiro Festival Literário do Médio Rio das Contas (Fest Contas). Financiado pela Fundação Pedro Calmon, o evento integrou uma série de atividades voltadas à leitura, escrita e cultura local. Um dos destaques da programação foi o Salão Oficina das Palavras, coordenado pelo professor Fagner Alves, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB – Campus XXI), com apoio de docentes e estudantes do Colégio Estadual de Ipiaú (CEI).
Abertura marca início das atividades literárias
A cerimônia de abertura ocorreu na Câmara dos Vereadores de Ipiaú, na manhã do dia 2, conduzida pelo professor Albione Souza. No mesmo dia, o Colégio Estadual se transformou em centro das atividades, abrigando oficinas, bate-papos e mesas de diálogo.
Identidade literária e fanzines abrem o festival

O primeiro bate-papo, “Literatura local e o registro de que somos”, reuniu estudantes da UNEB e do CEI em torno da professora e escritora Maria José Damasceno, que lançou recentemente seu terceiro livro. O encontro destacou o papel da literatura na construção da identidade regional. Ao final, a autora distribuiu um cordel de sua autoria sobre Euclides Neto, figura emblemática da cultura ipiauense.
Na sequência, o professor Francismar Ribeiro, do CIEBTEC, conduziu a oficina “Uso de fanzines em sala de aula”, orientando a produção coletiva de um fanzine. Em paralelo, o jornalista Vicente Andrade ministrou oficina sobre podcasts literários, voltada a alunos do curso de Letras da UNEB.
Reflexões sobre memória e ensino literário
Na sexta-feira (3), as discussões se voltaram à literatura como registro da história local. O bate-papo “A literatura que conta a nossa história” acabou reformulado após ausências na programação, mas manteve o foco na reflexão sobre memória e identidade, com participação dos professores Francismar Ribeiro e Adilma Nunes Rocha.
O diálogo evoluiu para a mesa-redonda “Ensino e estímulo da literatura em sala de aula”, que debateu metodologias de incentivo à leitura. À tarde, a palestra “A história do movimento LGBTQIA+”, ministrada por Kin Bissents Santos, trouxe diversidade à pauta, promovendo debate sobre inclusão e pertencimento.

Literatura infantojuvenil e práticas pedagógicas encerram o salão
No sábado (4), as psicanalistas e escritoras Mel Jaqueira e Vera Pestana abriram o dia com a mesa “A literatura infantojuvenil sul-baiana”, voltada a estudantes de escolas particulares de Ipiaú. A conversa gerou propostas de futuras parcerias entre as instituições.
Logo depois, o professor Fagner Alves conduziu a oficina “Fanzines como ferramenta de leitura e escrita”, reforçando o uso da publicação alternativa como instrumento pedagógico. O professor Francismar Ribeiro colaborou, compartilhando experiências em sala de aula. A última atividade prevista — um bate-papo sobre jornalismo digital — foi cancelada por falta de público.
Valorização da cultura e fortalecimento da educação

Mesmo com algumas desistências causadas por atividades escolares paralelas, o Salão Oficina das Palavras cumpriu seu papel de estimular a leitura, a escrita e a troca entre instituições de ensino. O evento reafirmou o potencial da literatura como ferramenta de transformação social e consolidou Ipiaú como um dos polos culturais do Médio Rio das Contas.
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Sobre o autor
José Fagner Alves Santos é jornalista (MTB 0074945/SP), formado em Letras. Mestre em Educação, Doutor em Literatura. Fã de Ernest Hemingway, Tom Wolfe, Gay Talese, Hunter Thompson, John Hersey e Eliane Brum. Faz um arremedo de jornalismo literário. Publica sempre às segundas aqui no Editoria Livre e apresenta o podcast que é publicado às quartas. Colabora com o Portal Café Brasil.








