R$ 184 milhões: Estudo aponta que é inviável reativar a linha férrea Santos-Cajati
Publicado por A Tribuna
O ramal ferroviário Santos- Cajati está todo sucateado, em seus 214 quilômetros de extensão.
Sem receber trens desde janeiro de 2002, tal condição é um desafio para tirar da gaveta o antigo plano regional de reativação desta ferrovia. Um esboço inicial da concessionária do trajeto indica que seriam necessários R$ 184 milhões para que a malha fosse retomada.
O volume consta em um estudo concluído pela Rumo Logística, concessionária do ramal ferroviário. Pressionada por órgãos de controle, a Rumo concluiu ser inviável reativar o ramal para transporte de carga.
O documento indica questões técnicas, econômicas e ambientais para a sua recusa em operar a linha, aberta no começo do século passado. Por isso, quer devolver a malha à União. Assim, abriria oportunidade para acelerar a expansão do Veículos Leves Sobre Trilhos (VLT) até o Litoral Sul.
Devolução
A entrega do ramal à União está amparada numa lei sancionada no ano passado, que permite renegociar os lotes que empresas não tenham mais interesses em operar. Pelas regras, a concessionária deve restituir os trechos em condições operacionais ou pagar a um fundo nacional para custear a reforma.
As cifras estão aquém das reais necessidades de recuperação da linha, responsável pelo desenvolvimento pelo extremo sul paulista no inicio do século 20. O valor indicado pela empresa custaria 89,4 quilômetros de trilhos, pouco mais de 299 mil dormentes (peças para fixação dos trilhos), 26 aparelhos de mudança de via e 200 metros de reforço e plataformas.
A empresa assumiu o passivo em julho de 2014, ao comprar da America Latina Logística (ALL). Desde então, ações judiciais obrigam a concessionária a arcar com custo de manutenção (corte de mato e limpeza de entulho) nas cidades do Litoral.
Promotoria
O Ministério Público Federal (MPF) assinou um requerimento segundo o qual a empresa “abandonou, saqueou e sucateou” parte do trajeto. O Documento pede solução definitiva a fim de se reativarem as linhas.
O contrato de exploração da malha local expira em 2028. Projeções da empresa indicam impacto de R$ 163 milhões no fluxo de caixa para a recuperação do ramal;
“Mesmo com valor de demanda bastante otimista, os custos operacionais, somados aos investimentos necessários são superiores às receitas a serem obtidas”, continua o documento da Rumo. A publicação conclui, ainda, que a restauração do transporte ferroviário de cargas do ramal regional não traria nenhuma contribuição à economia paulista.
Em Peruíbe
Em 2013, uma reportagem produzida para o jornal Entrevista, da Universidade Católica de Santos, mostrou a quantas anda o Ramal Santos-cajati, no trecho de Peruíbe. Veja:
Texto e Reportagem: A Tribuna
Publicação original: A Tribuna (outubro de 2018)
Foto: Márcio Ribeiro
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