O fanzine Editoria Livre, por trazer conteúdo original, é tecnicamente uma revista independente. Chamamos de fanzine simplesmente por uma questão de comodidade. E essa definição nem é minha, é do Edgard Guimarães em sua obra homônima.

Optei pela criação de uma publicação impressa nesse formato por uma questão de saudosismo, mas também por saber que essa seria a melhor forma de praticar. Sem o compromisso comercial e os altos gastos com gráfica e distribuição a experimentação se torna possível. E isso é válido para todos os colaboradores de nossa publicação.

Assumir o compromisso de realizar uma publicação mensal ao longo de 12 meses é semelhante a desenvolver uma oficina de criação editorial pelo mesmo período. Os erros saltam aos olhos no material impresso, as dificuldades de realização se tornam evidentes, surge a necessidade de maior conhecimento sobre técnicas de editoração. Também é preciso ter conhecimento de como as gráficas funcionam, quais os preços, os formatos, os tipos de papel. Mas antes de tudo isso, é preciso que o conteúdo evolua, que atinja qualidade profissional. Os textos precisam estar bem escritos e bem editados, as charges e os quadrinhos carecem de evolução técnica. Quando a evolução na qualidade do conteúdo se tornar evidente será preciso trabalhar a evolução gráfica do produto.

Sairia muito caro fazer todo esse exercício pagando os serviços gráficos, usando capa colorida ou qualquer outro tipo de firula que só serviria para amaciar nosso narcisismo. É preciso ser consciente de nossas limitações como autores. É evidente que algumas pessoas já estão prontas, é evidente que alguns conteúdos merecem maior destaque e melhor tratamento editorial e gráfico. No entanto, esse conteúdo está misturado ao restante como forma de equilibrar o conjunto, motivar os participantes e dar um norte do que pretendemos atingir.

Trabalhar com a vaidade humana é sempre complicado. Todos temos uma compreensão distinta do que seria o melhor caminho para a publicação. A experiência demonstrou, no entanto, que sem uma liderança que diga o que precisa ser feito, o processo seria atravancado por falta de consenso.

A minha pretensão é que, depois das 12 edições publicadas, cada um tenha plena capacidade de desenvolver sua própria publicação independente. O universo underground só terá a ganhar com isso. E todos teremos um belo portfólio para mostrar.

 

José Fagner Alves Santos