Numa época em que todos os meios de comunicação estão, de alguma forma, migrando para o digital, resolvemos fazer o caminho contrário e lançamos um fanzine para ser lido impresso.

Numa mistura de jornal, revista, histórias em quadrinhos e pulps americanos, a primeira edição do fanzine Editoria Livre espanta pela diversidade. Reunindo colaboradores de diferentes áreas, e diferentes regiões do País – tendo até um colaborador que vive fora deste – a publicação é um caleidoscópio de formatos e estilos.

Nas primeiras páginas encontramos o ensaio: Caminhos da Educação, de autoria da profª/Ms Luana Werneck. Ela problematiza o abandono de algumas técnicas de educação que eram utilizadas pelos jesuítas. O ajuste a novas formas educacionais sem eficiência comprovada acabou nos levando para um grande abismo cognitivo.

Logo na sequência, temos o conto: Um lar para o Magrelo, escrito pelo Jefferson Santos. É a história de afeto entre um garoto e um filhote de gato. Jefferson está no último ano do curso de Direito, mas sonha em um dia viver exclusivamente da escrita.

Depois vem o conto: Jogo de campeonato, corro é pro mato, de autoria do Eddie Silva. Uma história gostosa de se ler, que vai fazer muito marmanjo relembrar a infância. Eddie é o típico cara da comunicação. Já esteve envolvido com jornais, blogs, podcasts (tendo sido figura importante para o desenvolvimento dessa mídia aqui no Brasil), produção de vídeo, e é escritor. Em resumo, é um canivete suíço das mídias e seus formatos.

Giva Moreira escreve: A Banca de revistas foi o Google de nossa época, uma reflexão sobre as formas de pesquisa pré-internet e tudo que se perdeu com o processo de digitalização. Quem é que não sente falta das conversas com os amigos nos arredores das bancas de jornais e revistas? Um bom texto para quem tem mais de trinta.

Na página 23 encontramos a resenha: A queda de Murdock: Ascenção do Demolidor, de autoria do professor Adenivaldo Brito. Formado em letras e amante de quadrinhos e cinema, nosso resenhista destrincha o melhor trabalho já feito com o herói da Marvel até hoje. Nostalgia pura.

Para destoar ainda mais dos estilos, na página 30 encontramos o ensaio/reportagem: Em Brasília, 19h !, de autoria do jornalista J. Fagner. Neste texto o autor narra a trajetória que levou ao fim do seu antigo site. Algumas dicas de segurança digital – bem básicas, mas importantes – permeiam o texto.

Injustiça Celeste é uma história em quadrinhos escrita e desenhada por Aiala Ramos. No melhor estilo Contos da Cripta, essa HQ narra uma história de correção e equilíbrio guiada por poderes cósmicos. Boa pedida para quem curte a nona arte.

Falando em nona arte, o designer Mauri Ribeiro nos conta sobre o seu projeto de incentivo à leitura nas escolas públicas do estado de Pernambuco, em: Quadrinhos como incentivador do hábito de leitura. Uma bonita iniciativa que pode inspirar muitas outras pessoas.

Para terminar, mas não menos importante, a tirinha: Nosso Herói Adormecido, de autoria do artista Eric Frantto, trás uma pequena reflexão sobre os sonhos que muitos de nós deixam para trás. Junto com os sonhos, abandonamos também a felicidade de viver.

Apostando no resultado dessa mistura caleidoscópica, o fanzine Editoria Livre surge no cenário zinístico, já há muito enfraquecido, brasileiro. Com distribuição pela internet, aqui no nosso site (www.editorialivre.com.br), ele pode ser baixado em dois formatos.

O primeiro é o linear, para se ler em tablets, computadores e celulares.

Download da versão para tablet

O segundo é o formato de impressão.

Download da versão para impressão

Nesta segunda versão, o arquivo precisa ser impresso frente e verso, dobrado e grampeado.

Nos ajude distribuindo uma cópia, digital ou impressa para seus amigos. Se você não gostar, pode distribuir para os inimigos, não tem problema. O importante é divulgar.

 

Texto: José Fagner Alves Santos

Com fotos do Eddie Silva