“O desespero é verde”

O despertar de Cthulhu, é um quadrinho nacional publicado pela Editora Draco. Especializada em títulos voltados ao terror, fantasia e ficção científica, a Editora Draco se destaca pelo fato de trabalhar, em sua quase totalidade, com autores nacionais, o que nos deixa com a sensação de proximidade com o seu catálogo.

Este quadrinho resenhado aqui hoje, é uma coletânea de histórias organizada pelo Rafael Fernandez, até então editor da Draco. São oito contos, baseados numa entidade chamada Cthulhu, criada por H. P. Lovecraft e que deu origem a toda uma mitologia de terror. Esta criatura é definida pelo próprio criador, como um mal tão ancestral e terrível que, basta olhar para ele para sermos levados ao limiar da loucura. As narrativas nesta obra giram em torno não deste personagem em si, como somos levados a entender pelo título, mas uma colcha de retalhos sobre a criatura, passagens para o seu despertar, e toda a insanidade que é gerada por isso.

Os contos são curtos, contendo cerca de vinte páginas e cada um com autores diferentes, mas sempre explorando a influência de Cthulhu em diferentes comunidades e pessoas normais, como por exemplo, em um grupo religioso, uma tribo de índios e numa inesperada aparição do famoso ocultista inglês Aleister Crowley.

A arte é um detalhe à parte nesta edição. O fato de os artistas usarem apenas três cores (preto, branco e verde) é muito bem orquestrado juntamente à narrativa. O verde, aparecendo somente quando é manifestada a presença da criatura, induz o leitor a criar uma ansiedade que vai crescendo conforme avança as páginas. O traço das histórias é muito bem feito, e explora muito bem a tendência macabra da edição, hora com detalhes muito bonitos, hora com a simplicidade que pede o momento.

Quem gosta do estilo de Terror vai adorar ler “O Despertar de Cthulhu”. Apesar de ter escritores diferentes, uma coisa é comum às narrativas: a impressão que tudo vai acabar mal para os personagens. E essa impressão é cada vez maior conforme vamos avançando nas páginas de cada história até o final, quase nunca surpreendente, mas sempre espetacular.

A edição é belíssima, tem 168 páginas, com encadernamento em brochura, miolo de papel couché e capa com verniz localizado. Preço de capa: R$ 49,90.

Vou terminar o texto com a última frase do livro:

“Os únicos que se salvaram foram aqueles que tiveram a sorte de já estarem mortos”.

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