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Resenha: Diabolik Volume 01

O volume 01 de Diabolik publicado pela Editora 85 é uma boa retomada ao personagem italiano

“Foi um plano muito elaborado, mas uma vez dentro da sala blindada do banco Van Gray, foi fácil como ir ao supermercado…”

 

Diabolik Volume 01 é uma publicação da Editora 85 que resgata o personagem italiano depois de um hiato de 27 anos sem ser publicado em nosso país. Foi Inicialmente lançado através de financiamento coletivo pelo Catarse e obteve grande sucesso.

O personagem criado em 1962 pelas irmãs Angela e Luciana Giussani é uma espécie de gênio do crime. Diabolik é um ladrão especialista na arte de planejar, se infiltrar e roubar artefatos valiosos como joias e obras de arte. Cada história sua é uma aventura que envolve o furto de algum item de alto valor. Cada volume publicado pela Editora 85 reúne quatro histórias inéditas no Brasil.

O PRIMEIRO VOLUME

O primeiro volume publicado pela Editora 85 abre com a história “Escrito no Sangue”. A narrativa começa apresentando uma famosa escritora chamada Angela Miller e uma multidão esperando para comprar seu novo livro e ganhar seu autógrafo. Com o passar das páginas, a escritora revela que o maior dos seus tesouros são os manuscritos dos seus livros e que eles estão guardados numa mansão dentro de um cofre praticamente inviolável. Inviolável para ladrões comuns, mas não para Diabolik.

O protagonista planeja minuciosamente como se infiltrar na mansão da Angela Miller, mas não para roubar os manuscritos e sim um abridor de cartas cravejado de pedras preciosas. Após o roubo, é noticiado que a escritora foi jogada pela janela na mesma noite do crime. a polícia começa a investigar o assassinato, mas, com a ajuda secreta do Diabolik. O final é surpreendente não pela revelação do assassino, mas pelo que ele sofre nas mãos do maior ladrão do mundo.

Na sequência, temos a segunda história, intitulada “Obrigado a Matar”. Nela, Diabolik e a sua namorada Eva Kant invadem a casa de um mafioso para roubar diamantes. Durante a infiltração ocorre algo errado com o plano e eles são descobertos e presos. Diabolik recebe então a proposta de assassinar quatro pessoas para, em troca disso, garantir a vida e a liberdade de Eva. A partir deste ponto, o protagonista corre contra o tempo para arquitetar e por em prática um plano para salvar sua namorada. O desfecho novamente é previsível, mas mostra o caráter vingativo de Diabolik.

AS DUAS ÚLTIMAS HISTÓRIAS DO VOLUME

As duas ultimas histórias do volume se chamam “Por Poucas Horas” e ”O Bracelete Perdido” respectivamente. Apesar de não mostrarem o lado violento e vingativo do personagem, essas duas tramas envolvem planos mais complexos para os furtos, o que deixa a narrativa muito interessante.

Apesar de cada história ter sua própria equipe criativa, o ritmo rápido e fluido da narrativa é mantido. O roteiro tem o estilo de romances policiais possuindo velocidade e fluidez que torna o quadrinho fácil e rápido de ler. É bastante divertido acompanhar os desdobramentos dos planos de infiltração e respectivos roubos.

Apesar dos roteiros serem o ponto forte, as equipes artísticas não deixam nada a desejar. Com traços firmes e bastante controle dos tons de cinza, os desenhos dão conta do recado com a mesma frequência de qualidade.

Embora já tenha sido publicado outras vezes no Brasil, este foi o meu primeiro contato com o personagem. Pesquisando um pouco antes de ler, encontrei duas definições sobre ele: “o Batman do crime” e “Robin Hood”. Achei as duas um tanto quanto fora do contexto do personagem. A semelhança com o personagem da DC está somente na máscara e no fato de investigar e planejar as suas ações, mas sem nenhum propósito altruísta. Já com o mitológico personagem inglês, a única semelhança é roubar apenas dos ricos, sem a menor pretensão de dar aos pobres.

UM ANTIHERÓI 

O Diabolik é um ladrão. Numa definição baseada nos clichês das HQs americanas e da cultura pop, ele é um vilão. E dos bons. Mas, apesar deste fato, as suas histórias são construídas de forma que o leitor desenvolva empatia por sua figura. No enredo, frequentemente o personagem rouba de pessoas bastante ricas e sem muito escrúpulo, como mafiosos, políticos corruptos, assassinos e quadrilhas. Um dos fatores que propende ao desenvolvimento da nossa simpatia pelo personagem é o seu “código de honra”, que não o deixa ferir inocentes ou roubar dos pobres, por exemplo.

Um outro ponto positivo é o formato de publicação. Na Itália ele é originalmente publicado num “formatinho” muito prático e confortável para leitura. Mas diferentemente dos formatinhos publicados aqui no Brasil até início da década de 2000, Diabolik é pensado e criado para este formato. A diagramação é propositalmente feita em no máximo 3 quadros por página com objetivo de não reduzir o tamanho dos desenhos.

Mas nem tudo são flores e, na minha opinião, as histórias possuem um ponto fraco: O personagem sempre tem uma infinidade de bugigangas que o ajudam nas infiltrações e furtos. Carros com assento ejetável, tabletes com raio-x, e máscaras faciais que o deixam idêntico a qualquer pessoa. Essas máscaras são, inclusive, confeccionadas em poucas horas e ninguém consegue perceber o disfarce, mesmo levando em consideração a voz e a postura corporal. Para um quadrinho que tenta se aproximar do “mundo real”, acho que estes artifícios poderiam ser evitados.

A edição está muito bem feita, e para quem gosta de histórias de aventura ou investigação policial é um prato cheio.

A publicação consta de capa cartão, 480 páginas em preto e branco e pode ser encontrada no site da própria editora ou em combos por financiamento coletivo.

 

Por Maxson Vieira

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