Apesar de todas as facilidades trazidas pelo mundo digital, vez por outra ainda sinto a necessidade de elaborar algo impresso. É claro que o trabalho como jornalista me possibilita isso quase diariamente. Mas, não é o meu veículo, não tenho a mesma liberdade, não posso fazer experimentalismos, não posso escrever sobre o que vier à cabeça, não tem aquele toque de amadorismo aconchegante.

Eu sei, eu sei. Você vai dizer que isso é um romantismo besta. Que não passa de saudosismo atávico. Talvez seja, realmente. Mas eu tenho um fetiche de desenvolver textos maiores, de maior abrangência, com maior profundidade e numa plataforma completamente amadora, totalmente underground. Chego a recordar de uma canção do Humberto Gessinger que diz: “nos interessa o que não foi impresso, mas continua sendo escrito à mão. Escrito a luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão”. Para mim, o clima do zine deve ser bem esse.

A materialidade de uma produção completamente artesanal, com um conteúdo de qualidade ainda é uma meta a ser alcançada. Juntar os amigos dispersos num projeto desse estilo seria uma grande realização para mim. Seria um aprendizado quanto à editoração, alimentaria nossa verve colecionista, dar-nos-ia um norte em comum.

E é por isso que eu resolvi voltar ao mundo dos fanzines. A partir de julho teremos a primeira edição do fanzine Editoria Livre. O arquivo em PDF estará disponível, aqui no blog, em dois formatos: o primeiro em ordem linear, para ser lido no celular, computador ou tablet; o segundo em formato para a impressão. Você poderá baixar o arquivo, imprimir, dobrar as folhas e grampear. Seu fanzine estará pronto em formato físico.

Chamei um grupo de amigos, que convidaram outros amigos. A edição já está quase pronta. Espero que você esteja nessa com a gente. Repasse o arquivo em PDF para os amigos, dê uma versão impressa para a sua avó. Faça com que muitas pessoas tenham acesso. Eu serei muito grato.

Vamos assistir à terceira parte do documentário Fanzineiros do Século Passado. Mais que recomendado.

José Fagner Alves Santos