Poema “Identidade”, por Tássia de Souza

IDENTIDADE, por Tássia de Souza
Às vezes me pergunto quem sou,
Mas, do que deveras tenho, nada restou.
Não sou muito; sou um pouco de tudo:
Sou o medo, a coragem, a razão, a loucura,
Sou a chuva, o sol, a rispidez, a doçura.
Mas quem eu sou?
Nada sou, pois hoje, na vida, estou.
Cada dia me reinvento:
Eu grito, calo-me, fujo, luto, sofro, sorrio.
Tento completar esse vazio,
O vazio de ser e não estar.
Afinal, o que realmente sou?
Nada, nada sou,
Pois se não sou tudo, sou nada;
Talvez uma louca, com racionalidade envolta,
Ou um ser vestindo uma máscara insana, mas sou nada.
Porém, procuro minha essência,
A essência de viver,
Pois enquanto não sei ser,
Significo nada.
Então, construo uma ponte
Com meus feitos, vista plena ao horizonte,
E grito:
Quem eu sou?
E, como eco, vem: nada.
E, se eu não me faço ser,
Pouco farei falta.
Contudo, se aprendo a viver,
Deixarei marcas;
Aí, então, não terá sido em vão
Essa minha passagem pela vida,
Que, sei bem, não é viagem só de ida,
Mas o começo de um fim
Que construí todos os dias
No meio de tristezas e alegrias.
Fui um ser deveras mudo,
Que, mesmo sendo,
Não foi tudo; foi nada.
(Tássia de Souza)
Criação e Autoria: Tássia de Souza
Imagem: IA
Contato: [email protected]

Simplesmente maravilhoso!
Tássia, li o seu poema com muito carinho e atenção. A primeira estrofe mexeu muito comigo. Às vezes penso sobre a minha existência e quem realmente sou. Parabéns pela sensibilidade!
Lindo, lindo, lindo…
Migah, amei seu poema
Acho que esse poema representa muito nós mulheres né.
😘🥰