Todos os anos aqui ou acolá alguém ouve falar de algum caso semelhante ao da dona Cristiane que roubou comida para alimentar os filhos famintos. Ela que estava gestante, foi algemada durante a audiência de custódia e depois enviada para uma cela com mais 18 mulheres. Detalhe: a cela fora construída para conter 12 pessoas.

Numa conversa qualquer alguém pode mencionar um jovem de Salvador que aos 19 anos foi preso e mandado para junto de bandidos perigosos no presídio daquela cidade; o motivo da prisão foi ele ter furtado livros pelos quais não podia pagar e dos quais precisava para estudar.

Não com muita dificuldade, alguns podem encontrar os registros de um certo senhor Josias, que um dia foi raspar cascas de uma árvore para fazer chá para a esposa vítima da doença de Chagas e acabou indo parar na prisão. É que a árvore, uma almesca, estava localizada em área de preservação ambiental.

Num país onde ocorrem tantos desmatamentos ilegais chega a ser ridículo o caso do seu Josias!

E tem casos de crimes famélicos como de roubo de galinha, leite, carne e até ovos. Basta procurar.

Em comum essas pessoas têm o fato de que para eles sobrou apenas o rigor máximo da lei. Eles não têm condições de pagar milhares de reais a escritórios de advocacia para ingressarem com habeas corpus, um após outro. Eles não conseguiriam recorrer a instancias superiores, nem desembargadores. Não buscariam os embargos infringentes e tampouco os embargos dos embargos.

Eles nem sabem que porras são essas coisas!

Eles não perguntam pela fiança, pois ou desconhecem ou sabem que não teriam como pagá-la.

Essas pessoas não são como o Aécio que tem um padrinho como o Alexandre de Moraes, que advogou gratuitamente para ele a vida inteira e agora está no STF como ministro.

Essas miseráveis pessoas não são como o Lula que apesar de já ter sido pobre, hoje como ex-presidente da República, pode contar com o benefício de ficar preso numa cela que preserva o mínimo da dignidade humana.

E com certeza esses pobres diabos não são nem de longe sequer parecidos com o Michel Temer e seus parceiros.

Temer é formado em direito, maçom, ex-presidente, é rico, e como ele mesmo declarou; sabe lidar com bandidos!

Temer e seus parceiros que incluem um coronel do exército; sabiam exatamente o que estavam fazendo de errado, e fizeram tudo por ganância, não por estarem sob pressão de uma condição miserável.

As diferenças entre aquele grupo de pobres coitados que falharam diante da lei por razões tão extremas poderiam e deveriam ser comparados e lembrados quando falamos e julgamos estes do segundo grupo.

Mas é mais fácil ter empatia quando estamos entre iguais e infelizmente quem julga e garante os direitos desses quadrilhões de milionários são homens e mulheres que também possuem vultosas contas bancárias. Alguns deles se amedrontam diante da possibilidade de uma futura “Lava Toga” (…).

Aí a “dura lex” vira uma “suavis lex” que é pra não complicar a vida dos coligados.

Imagem: Blog do Miro.
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