Como ensinar alguém que não quer aprender? Tenho dado de cara com esse problema há algum tempo. São pessoas que fazem perguntas, mas não querem ouvir as respostas; pedem dicas de livros que nunca lerão; questionam informações técnicas para depois ignorar tudo o que foi dito etc.

O mais curioso é que essas pessoas insistem nesses questionamentos. Não se contentam em fazer isso uma única vez. Normalmente são meses consecutivos, sempre na ânsia questionadora. É possível acreditar na sede de conhecimento durante os primeiros contatos, mas isso não dura muito. Para dar um exemplo, permita-me descrever uma situação que vivi com um jovem que sonha em ser escritor.

O rapaz me abordou sem falsa modéstia. Argumentou que já havia escrito dois livros, que já havia recebido um retorno positivo de uma pequena editora, mas ele queria começar pelas grandes. Pediu que eu lesse seus manuscritos e, caso achasse que valia a pena, indicasse para editores ou agentes literários que fossem do meu círculo de amizade.

Sou uma pessoa relativamente ocupada, mas achei que poderia dar uma chance para o jovem. Recebi alguns capítulos junto com um breve resumo. Estava claro que havia ali um esforço sincero para fazer tudo direitinho, mas o texto ainda não estava pronto. Tentei explicar isso para o nobre aspirante, sugeri que ele continuasse praticando, recomendei que ele buscasse ler os grandes clássicos, até me ofereci para fazer uma pequena tutoria.

A princípio ele pareceu concordar, mas demorou pouco mais de dois meses para realizar a primeira leitura recomendada, não executou nenhum dos exercícios propostos e retornava sempre com o mesmo texto, pedindo que eu lesse “o capítulo três ou o quatro, tenho certeza de que você vai gostar”.

Aquele jovem não queria ajuda, não queria alguém que o orientasse, queria apenas ser reconhecido pelo que já havia feito. Queria receber aprovação de alguém com alguma experiência no mercado editorial. Não seguiu minha recomendação de criar um blog para ir praticando sua escrita, não criou um perfil no Wattpad, como eu havia recomendado, não criou um fanzine para publicar seus textos no formato analógico, não procurou fazer um curso de escrita criativa, não estudou gramática, não seguiu na leitura dos clássicos, em resumo, contrariou todas as minhas recomendações.

O que eu poderia fazer? Comecei a ignorar seus apelos. Não acho que ele faça isso por maldade, talvez nem perceba a situação em que se encontra. Mas, meu tempo é escasso, não dá para continuar perdendo com algo que jamais dará frutos. Esse, no entanto, é só um exemplo. Há alguns anos, enquanto trabalhava numa pequena emissora de rádio no interior, conheci um locutor que fazia certo sucesso ali na região. Ele gostava muito de conversar sobre política. Não parava de fazer perguntas. Como eu estava sempre lendo o jornal, ele achava que talvez eu pudesse ajudar. O problema é que, sempre que eu tentava responder algo, ele fazia outra pergunta. Quando eu tentava responder à segunda, ele me interrompia e fazia uma terceira.

Percebi que não fazia sentido tentar responder, eu sempre seria interrompido. Ele não se preocupava em ouvir as respostas. Adotei uma prática que se mostrou muito eficaz. Todas as vezes em que ele perguntava algo eu respondia: “não sei”. Em pouquíssimo tempo ele começou a importunar outra pessoa e eu fiquei livre.

A lista de situações parecidas é muito grande, eu poderia continuar contando esses casos durante um bom tempo, mas acho que já me fiz entender. Apesar de sentir pena dessas pessoas, não estou apto a tratar delas, nem tampouco quero alimentar esse gênio ruim. Escolhi canalizar minhas forças em projetos que darão resultados. Se você é uma dessas pessoas, corrija sua linha de pensamento. Caso você esteja sendo importunado por uma delas, fuja. O tempo só anda numa direção.

José Fagner Alves Santos