Minissérie Eu, Wolverine, agora em versão encadernada, não resiste bem ao tempo

Essa edição foi publicada em 2015, eu sei, mas só agora dei uma nova chance para as histórias de super-heróis. Definitivamente, eu não consigo mais.

Aproveitando a visita do meu amigo Maxson Vieira no último sábado, dia 06, resolvi desbravar algumas bancas e gibiterias da cidade. Há algum tempo voltei a ler Tex, Zagor e mais algumas publicações da Bonelli Editore. Também tenho colecionado a republicação do Lobo Solitário. No entanto, tenho mantido saudável distância dos super-heróis, principalmente das publicações Marvel e DC. Aproveitando o sentimento de nostalgia que me arrebatou no último sábado, resolvi comprar o encadernado que fomentava em mim boas lembranças.

Tudo parecia mais interessante na minha memória.

Após perder o contato com Mariko Yashida – sua namorada – Wolverine parte para o Japão em busca de respostas. Ele é barrado na imigração. Só é liberado depois da intervenção de Asano Kimura, um agente do serviço secreto japonês, amigo dele. É Asano quem anuncia a grande revelação: Mariko foi obrigada a se casar com alguém de quem não gostava para saldar antigas dívidas de honra contraídas pelo seu pai. Contrariando as recomendações, Wolverine se infiltra na Fortaleza Ancestral Yashida. Lá ele descobre que Mariko é espancada pelo marido. Após perceber que ela prefere cumprir com “suas obrigações de esposa” a desonrar sua família, Wolverine tenta deixar o recinto e esquecer o assunto, mas é sedado e obrigado a participar de um embate orquestrado para humilhá-lo perante sua amada.Tive contato com essa história quando saiu em formatinho, numa minissérie em quatro edições publicada pela editora Abril. Agora tenho em mãos uma versão publicada na Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, vol. 4. As famosas Capa preta da Salvat.

Essa é a primeira série solo de Wolverine. Foi escrita por Chris Claremont, desenhada por Frank Miller e Paul Smith, com arte final de Josef Rubinstein e Bob Wiacek e cores de Glynis Wein. O roteiro é de Claremont, mas parece ter sido escrito pelo próprio Miller. A temática japonesa, o estilo noir, a narrativa em primeira pessoa, tudo aponta para o autor de O Cavaleiro das Trevas.

A sintonia entre Miller e Claremont nessa história é mais que evidente. Os dois fazem um esforço consciente para tentar dar profundidade ao personagem. Infelizmente as cenas acabam ficando muito condensadas, mais parecendo um livro ilustrado. A limitação de 24 páginas por história é o principal empecilho. O estilo é um pouco datado. É difícil encontrar um único quadrinho que não tenha texto. Isso tira um pouco a fluidez da leitura. Sem falar que, o texto em questão é quase sempre uma narrativa em primeira pessoa que repete exaustivamente as mesmas informações: “eu sou mutante”, “meus ossos são revestidos de adamantium”, “tenho garras do mesmo metal”, “os inimigos são bons assassinos, mas eu sou melhor”. Em resumo, tudo muito dispensável.

Mesmo com todas as limitações de espaço, Miller consegue realizar uma bela obra de arte sequencial. É preciso lembrar que, o que hoje parece datado, era revolucionário para o quadrinho americano na época da sua publicação original.

É necessário entrar na fantasia de cabeça e aceitar que, no Japão de hoje, ninjas ainda exercem seu ofício de assassinos de aluguel; que confrontos físicos são resolvidos com espadas e flechas; que esses mesmos ninjas possuem péssima mira com o arco – acho que seria melhor usar uma metralhadora – e um monte de outras coisas completamente inverossímeis. Mas estamos falando de uma história do Wolverine, escrita pelo Chris Claremont e desenhada pelo Frank Miller.

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