Sempre achei muito engraçada aquela piada que corre nas redações de jornais e revistas por todo o País que diz: nós escrevemos para pessoas que não gostam de ler. O gracejo faz mais sentido a cada dia. As pessoas gostam de gráficos, ilustrações, cores vibrantes. Texto é coisa chata. Se o texto for longo e sem ilustração é melhor nem publicar.

A função do jornalista é empacotar a informação da forma mais digerível possível. O consumidor final recebe um produto tratado, editado, simplificado, pasteurizado. Há muito tempo se descobriu que a maior parte dos leitores de jornal não ultrapassa o título e o primeiro parágrafo. Mas isso era no tempo em que uma quantidade maior de pessoas lia jornal. Hoje as pessoas só leem os títulos e a primeira linha das notícias publicadas na timeline do Facebook.

Não vou ficar aqui me lamentando. Cansei disso. Quero, na verdade, fazer uma declaração um tanto óbvia. Eu escrevo para aqueles que querem ler. Eu publico em blogs, portais, jornais, revistas, fanzines, anuários ou qualquer outra plataforma que comporte texto escrito, para aqueles que querem ler.

Possivelmente o meu público será extremamente reduzido, estou ciente disso, mas é nesses que eu quero focar. São esses que valem à pena.

Recentemente resolvi voltar a editar um fanzine, como já havia anunciado. Para a minha surpresa, encontrei pessoas que não gostam de ler – apesar de gostarem de escrever – entre os colaboradores. Teve gente reclamando do tamanho do texto do outro, da falta de mais ilustrações nas páginas diagramadas. Não vou discutir com ninguém, não vou dar sermão sobre a importância da leitura, vou apenas listar o nome dessas figuras para que sejam eliminadas gradativamente nas próximas edições.

A importância de produzir um fanzine é a aglomeração de várias pessoas em torno de um interesse em comum. Se os interesses são díspares, não existe razão para que se forme essa agremiação.

O processo é libertador.

Como diria o Celsinho, do fanzine Esclerose, não poupe sua Bic. Escreva, escreva muito. E leia tudo que te cair em mãos. Já no primeiro parágrafo será possível verificar se aquela leitura vale o esforço ou se deve ser abandonada. Só não peque pelo desconhecimento.

José Fagner Alves Santos