Entre o rito e o arranjo: a política ocupa o Tribunal de Contas
Indicação ao TCE-BA expõe, mais uma vez, como cargos de controle seguem sendo moeda de troca no jogo previsível do poder

O governador Jerônimo Rodrigues decidiu mover mais uma peça no tabuleiro previsível da política baiana e enviou à Assembleia Legislativa a indicação do deputado federal Josias Gomes para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. O gesto, embalado pelo rito formal da legalidade, carrega o velho conteúdo de sempre: a conversão de capital político em posições institucionais permanentes.
A tramitação será célere, como convém quando há alinhamento entre Executivo e maioria parlamentar. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça está prevista para a próxima terça-feira, com votação em plenário no mesmo dia, numa coreografia já ensaiada. Josias será apreciado ao lado de Otto Filho, cujo nome a CCJ já chancelou, reforçando a sensação de que o desfecho está menos no campo do debate público e mais no da aritmética política.
Veja também:
O movimento, claro, não se encerra no TCE. Ao retirar Josias da Câmara, o governo abre espaço para a efetivação da suplente Elisângela Araújo, figura já conhecida do jogo e que retorna ao mandato sem necessidade de novo teste nas urnas. A política, mais uma vez, resolve-se por dentro, com soluções internas e circulação restrita de poder.
Tudo isso ocorre enquanto o Supremo Tribunal Federal discute, em Brasília, as regras do próprio jogo. A vaga aberta desde a morte do conselheiro Pedro Henrique Lino tornou-se objeto de uma disputa jurídica que expõe uma contradição antiga: tribunais de contas desenhados para fiscalizar a política, mas ocupados, em larga medida, por políticos. O voto reformulado do ministro Dias Toffoli tenta conciliar o pragmatismo do fato consumado com um aceno institucional ao futuro, condicionando a indicação à criação de cargos de auditor concursado e à promessa de que a próxima vacância seja destinada a um técnico de carreira.
É uma solução típica do Brasil: resolve-se o presente com uma exceção e promete-se corrigir o sistema amanhã. Enquanto isso, a política segue premiando seus quadros com mandatos vitalícios disfarçados de função técnica. O discurso da institucionalidade permanece intacto; o hábito do aparelhamento também.
No fim, a indicação de Josias Gomes não é um desvio do sistema — é o sistema funcionando exatamente como foi desenhado. A surpresa não está no movimento do governador, mas na insistência em fingir que se trata apenas de um ato administrativo, quando é, acima de tudo, uma decisão profundamente política.
Leia outras histórias
FAEP oferece cursos de aperfeiçoamento gratuitos para servidores de MG, em parceria com governo do e...
Lendo e compreendendo
Para que me serve a psicanálise?
Escatologia política
Curtas-metragens sobre população LGBTQIA+ são lançados em SP
O nascimento da religião, segundo Freud
Escritora aborda deficiência visual e o feminino em estreia
Do claro ao escuro: "Giù la testa"(1971)
Sobre o autor
José Fagner Alves Santos é jornalista (MTB 0074945/SP), formado em Letras. Mestre em Educação, Doutor em Literatura. Fã de Ernest Hemingway, Tom Wolfe, Gay Talese, Hunter Thompson, John Hersey e Eliane Brum. Faz um arremedo de jornalismo literário. Publica sempre às segundas aqui no Editoria Livre e apresenta o podcast que é publicado às quartas. Colabora com o Portal Café Brasil.
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
- Fagner Alves
Compartilhar em:
Últimas publicações

Mistério: ufólogos investigam marcas no solo após luz aparecer no céu de Peruíbe

Peruíbe firma contrato de gestão para implantação do novo hospital municipal

Mãos à obra: Mutirão de limpeza toma praias de Peruíbe neste sábado (25)

Nesta sexta: Peruíbe debate políticas públicas para povos e comunidades tradicionais

Fenômeno: Brasil ganha agência internacional de ufologia com sede no litoral de SP

A Ilusão da Letalidade Máxima

Monstros sem Mito

O Espectro da Fraude: Reflexões sobre Fictor e a Fragilidade das Estruturas Financeiras








