Enigma: planta rara “peruibensis” está ameaçada de extinção e não é vista desde 1995

Foto: Márcio Ribeiro

De: Márcio Ribeiro

Você sabia que existe uma árvore que foi descoberta em Peruíbe que é um enigma para a botânica por conta dos poucos registros feitos até agora? Por conta disso, a espécie é considerada ameaçada de extinção.

A espécie é a Eugenia peruibensis, árvore que pode chegar a 15 metros de altura e só é encontrada no Brasil, onde foi documentada na Mata Atlântica do estado de São Paulo, nos municípios de Iguape e Peruíbe.

A distribuição da planta é muito restrita, o que é uma preocupação para quem tenta preservar a espécie. Os seus limites conhecidos até agora estão confinados à Estação Ecológica Juréia-Itatins e arredores.

De acordo com o trabalho publicado por Eduardo Fernandez e Mário Gomes em 2020, o grau de ameaça documentado para a Unidade de Conservação em questão e áreas adjacentes é a severa fragmentação do aspecto vegetal de todo o local onde foi vista, além de pressões antrópicas, como urbanização acelerada, especulação imobiliária, turismo desordenado, ocupações recentes, invasões, problemas fundiários e a precariedade das condições de vida das comunidades.

Ainda de acordo com o estudo, disponível no site “proflora”, há dois registros da espécie da região do Rio Verde (Iguape), um na Praia do Arpoador, no Parque Estadual do Itinguçu (Peruíbe), outro no Morro de Peruíbe e mais um no Balneário Stella Maris, na região Central, também de Peruíbe. De acordo com o apurado, a espécie não é vista desde 1995.

O biólogo e ornitólogo Bruno Lima, que realiza trabalhos relevantes na região, disse que a planta é um mistério para a ciência e que não encontrou muitas informações a respeito dela em suas buscas. Ele acredita que um botânico poderia trazer mais esclarecimentos:

“Eu não acho quase nada a respeito da espécie. Não acho ela na página da fauna e flora do Sisbio (Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade), não tem nenhuma foto no Inaturalist, não tem nenhuma foto no biofaces, não acho nenhum artigo que cita ela. É um mistério”, disse.

Descrevendo um cenário crítico, especialistas recomendam ações urgentes a fim de se garantir a perpetuação da espécie na natureza no futuro, pois as pressões verificadas ao longo de sua distribuição podem ampliar seu risco de extinção. São necessários trabalhos de pesquisa (censo e tendências populacionais, estudos de viabilidade populacional) e conservação (Plano de Ação, garantia de efetividade de UCs).

Mais de um botânico foi procurado para dar mais esclarecimentos, e todos se comprometeram a buscar mais informações para passar à reportagem.  Essa matéria poderá ser atualizada assim que novas informações chegarem.

Texto e Reportagem: Márcio Ribeiro

Foto: Márcio Ribeiro

Contato: [email protected]


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.