Nos últimos tempos o que importa não é o conteúdo, o que realmente importa é o quanto o assunto, a roupa, a notícia, o grito ou a imagem vai impactar ou escandalizar alguém, e se possível, as massas.

E como quase ninguém gosta tanto de ser brasileiro quanto declara, aos poucos vamos copiando uma ou outra palavra da cultura norte americana. É que isso faz algumas pessoas se sentirem mais importantes.

Consequentemente, mentira virou fake news, alguém que está na moda está fashion, e o objeto de um amor platônico é um crush.

Adoramos uma boa host para um evento que tenha um belo break e se for sexta-feira teremos ao final de tudo um belo happy hour. Como somos patrióticos!

Algumas vezes pronunciamos até sem entender muito a essência ou o mero significado das palavras, mas isso não importa. O que importa é chamar a atenção. E é só isso o que importa; alguns segundos de fama.

Recentemente, durante uma viagem, observei o comportamento de duas jovens. Embora estivessem sentadas lado a lado, conversavam via Whatsapp. Em certo momento uma delas publicou algo em seu status e em seguida fez algo impensável para mim.

Em vez de mostrar na tela do smartphone o conteúdo para a colega, ela simplesmente cutucou a garota e disse: “olha aí o meu status!”

Observei que, a partir de então, a cada dois minutos aproximados, ela retornava ao status para verificar o número de views. Atitude invasiva à parte, aquilo me pareceu uma das coisas mais vazias que já presenciei.

Mas já não é de hoje que fazemos as coisas apenas para chamar a atenção dos outros. E como a vontade de ser o centro dos comentários é maior que o tempo gasto em preparar conteúdo, ponderar consequências e até mesmo analisar a possibilidade de estar se expondo ao ridículo.

Consequentemente, acabamos fazendo, e principalmente falando, muita besteira. Promessas, ameaças, decisões e ordens irrefletidas passaram a fazer parte do nosso dia a dia. E o pior é que, aos poucos estamos perdendo a vergonha.

Quem não se lembra das manifestações em 2013, quando as pessoas iam para as ruas, pichavam muros e compartilhavam a hashtag “Não vai ter Copa”?

Pois bem, teve Copa em 2014 e tudo deu mais ou menos certo, exceto o tal do 07×01 que tomamos da Alemanha.

Em 2016, com o Brasil dividido em dois, de um lado havia os grupos a favor do impeachment de Dilma Roussef, os quais seguiram o modelo de alguns parlamentares e mandaram imprimir cartazes com  a frase “Tchau Querida!”.

Do outro lado estavam aqueles que entendiam que aquilo era um golpe parlamentar em andamento. Estes optaram por gritar, pichar e compartilhar a frase imperativa “Não vai ter Golpe!”.

No fim para alegria até mesmo daqueles que nem sequer sabem pronunciar impeachment, a “Querida” teve de dar tchau e, sim, teve “Golpe”.

Aí, no dia seguinte, as comunidades do Facebook, compostas por grupos de companheiros maçons, comemoravam o fato de “agora termos um maçom no poder”, como se outros tantos já não estivessem em posições estratégicas.

Os dias passaram, aos poucos as deleções da JBS, as denúncias de caixa 2 e uma total inabilidade de governar deixou os mesmos grupos maçônicos silenciosos nas redes sociais.

Mas tudo isso era passado, ou pelo menos é o que milhões de brasileirinhos imaginavam quando, em outubro de 2018, elegeram o novo messias desejado por alguns grupos evangélicos, o arauto da direiteza.

Só que o tempo foi passando (nem tanto tempo assim) e, aos poucos, aqueles que se dignificaram a ser honestos consigo mesmo foram se decepcionando com o “mito”, aliás, não existe palavra mais apropriada para tal sujeito.

Em menos de seis meses de governo o cara já envergonhou seus eleitores de tantas formas que alguns já começam a não ter tanto orgulho de sua aposta.

Durante anos os eleitores de Bolsonaro o assistiram pronunciar a plenos pulmões que era a favor da redução da maioridade penal. Segundo ele, “o menor de idade tem plena consciência do que faz”.  Mais um pouco e ele diria, como ocorria no período Medieval, que a criança “é um adulto reduzido”.

Mas o mundo dá mais voltas que um comercial da Skol, e quando Bolsonaro viu seu filho ser acuado por denúncias de crimes envolvendo lavagem de dinheiro, declarou que não era justo “usar um garoto” para atingi-lo. Detalhe: o tal garoto é Flávio Bolsonaro e tem 37 anos de idade.

Durante toda a sua campanha, Bolsonaro fez questão de atacar uma suposta doutrinação marxista que segundo ele vem ocorrendo nas escolas. Diversas vezes ele deixou claro que em seu governo teria fim a doutrinação ideológica nas, que o negócio é Escola sem partido.

Mas a vida dá mais voltas que olhar de bêbedo e uma das primeiras ações de seu Ministro da Educação foi ordenar às Escolas que impusessem aos alunos cantar diariamente o Hino Nacional, até aí tudo bem. O curioso é que as instituições de ensino deveriam gravar imagens dos alunos para remeter ao governo provavelmente pare serem usadas em suas propagandas.

Porém, não para por aí, antes de os alunos entoarem o Hino Nacional os diretores das Escolas teriam de ler uma mensagem a qual incluía frases da campanha eleitoral de Bolsonaro.

Na verdade, o governo Bolsonaro pode ser tudo, menos livre de vícios ideológicos e imparcial.

Recentemente Bolsonaro trouxe para a Secretaria Executiva do Ministério da Educação uma pastora Batista. Em breve nossas crianças começarão a aprender que é o Sol quem gira em torno da Terra. Duvida? Leia o livro sagrado do cristianismo, em Josué, capítulo 10 versículos 11 e 12.

Mas a maior e melhor contradição de Bolsonaro nem foi percebida pela maioria de seus eleitores.

Entre 2011 e 2012 o ex-presidente Lula realizou tratamento no Hospital Sírio Libanês. Tratava-se de um tumor na laringe. O tratamento durou cerca de dois anos, e de acordo com o jornal Extra, teria sido custeado por meio de convênio médico privado.

Na ocasião Bolsonaro declarou que Lula deveria ter ido cuidar de sua saúde através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Só que a vida é um verdadeiro carrossel, vive a dar suas voltinhas, e em setembro de 2018 Bolsonaro foi vítima de uma facada. No primeiro momento foi levado para o Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG), depois foi removido para o Hospital Sírio Libanês, de São Paulo.

O curioso é que Bolsonaro, e também seus filhos, sempre tão falastrões, não se indignaram com isso e tampouco pagaram pelos serviços médicos que somaram mais de R$ 400 mil e que sairão ou já saíram (alguém duvida?) dos nossos impostos.

Aliás, vou dizer que a anterior nem é a maior contradição do Bolsonaro.

A contradição mais deslavada que ele cospe na cara de cada um de seus eleitores, mesmo durante sua campanha, ocorre quando ele fala em patriotismo.

Que diabo de patriotismo é esse que quer privatizar tudo? Sim! O homem que Bolsonaro escolheu como Ministro da Fazenda fala em privatizar o Banco do Brasil, a Petrobrás e até a histórica e emblemática Caixa Econômica Federal.

Sim. Eles estão privatizando aeroportos, depois deverão ser as companhias de águas e saneamento, pois, as de energia elétrica o FHC já privatizou durante seu governo e agora todo mês o consumidor recebe alguma “surpresa” na sua conta de energia.

Eles vão terminar o trabalho, iniciado por Michel Temer, de entregar a preço de banana nossas bacias de petróleo e dar o start no processo de dominação do nosso território, permitindo a instalação de uma base militar norte americana em Alcântara.

Pelo visto, em breve, não apenas nosso patriótico presidente, mas todos nós estaremos batendo continência para os símbolos dos EUA.

Aí é sentar e aguardar para o fim do SUS, encerramento do PIS e sabe-se lá mais quantas diabruras não serão feitas ainda.

No fim, continuaremos um país subdesenvolvido, que exporta matéria prima de excelente qualidade quase de graça e depois adquire produtos manufaturados com aquela mesma matéria prima, porém a preço de ouro. Não o mesmo produto que nossos clientes consomem lá fora, mas um subproduto, um quase lixo.

Mas a marca estará em inglês, e isso fará toda a diferença.

Taokey?

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