Não é novidade para ninguém que a economia brasileira segue estagnada. Para agravar a situação, as incertezas do cenário eleitoral só tendem a fomentar as dúvidas quanto a uma possível melhora econômica, mesmo que a longo prazo. No dia 31 de agosto de 2018, o IBGE divulgou o crescimento do PIB correspondente ao segundo trimestre: 0,2%. Valor que apenas confirma a estagnação econômica. Em relação ao crescimento dos setores da economia, apenas o de serviços se encontra no azul, com 0,3%, enquanto que o agropecuário cresceu 0% e o industrial caiu 0,6%. O consumo das famílias é outro fator que também se encontra quase nulo, com uma taxa de crescimento de apenas 0,1%. A lenta recuperação econômica e a alta instabilidade no emprego contribuem acentuadamente para essa queda no consumo.

Embora, no Brasil, a taxa de desemprego tenha recuado 12,1% no trimestre encerrado em agosto, segundo o IBGE, nosso país ainda conta com 12,7 milhões de desempregados. Mas o número de pessoas fora do mercado de trabalho chega a ser muito maior, afinal o total de cidadãos que nem trabalham nem procuram vagas está em 65,6 milhões, o maior número já registrado segundo pesquisa do IBGE divulgada em julho. Muitos, diante da dificuldade em serem chamados para preencher algum posto de trabalho, simplesmente desistiram da busca. E mesmo quem está na ativa não possui garantias econômicas a longo prazo, afinal a instabilidade do mercado afeta principalmente aqueles que, cada vez mais, vêm atuando no mercado informal.

De acordo com o IBGE, o número de empregados no setor privado, sem carteira assinada, permaneceu estável em relação ao trimestre anterior (11,2 milhões). Porém, houve uma alta de 4%, correspondente a mais de 435 mil pessoas, em relação ao mesmo período do ano passo. Segundo pesquisa divulgada em julho, 40,6% dos brasileiros ocupados, cerca de 37 milhões, são trabalhadores informais ou próximos da informalidade.

Outro agravante para a economia brasileira é o valor do dólar, que chegou a mais de R$4, alcançando o maior número da história do real. Novamente, a incerteza eleitoral, entre outros fatores como guerra comercial entre países, a alta dos juros nos EUA e a redução dos investimentos no Brasil, contribui para tal elevação.

Estamos próximos das eleições e as disputas entre candidatos parecem se acirrar cada vez mais, seja nas campanhas políticas ou nos debates eleitorais. Diante de tantos ataques políticos, os eleitores indecisos não conseguem refletir uma possível escolha a fazer. Corrupção, autoritarismo, falácia…: é extensa a lista de adjetivos pejorativos destinada a muitos candidatos. Em meio a tudo isso, aspectos fundamentais deixam de estar em pauta, como os planos de governo para melhorar a economia nacional – um dos maiores desafios a ser encarados pelo novo governo – e assim aumentar a produtividade, os investimentos e o emprego.

Se almejamos um país com melhor educação, saúde, segurança, transporte, entre outros quesitos, precisamos ter em mente a relevância que um bom plano socioeconômico, que contemple a produtividade, a redução de gastos com funcionalismo público e um ajustamento fiscal justo, que permita a redução da desigualdade social, se faz imprescindível para o desenvolvimento da nação.

Além disso, é fundamental que tal plano seja elaborado com transparência, de forma ética, contemplando a todos, especialmente os marginalizados e excluídos. E contemplar os desfavorecidos não significa oferecer assistencialismo, mas sim, meios pelos quais eles possam produzir e garantir seu próprio sustento. Pois sabemos que, num país desigual como o Brasil, a oportunidade não chega para todos da mesma forma.

“A economia funciona segundo leis próprias. Por todo o mundo, impõe-se cada vez mais a economia de mercado […] A economia de mercado tem-se mostrado muito eficiente, mas só é eticamente aceitável se for uma economia de mercado social e controlada segundo as regras de um Estado de direito. Por isso é necessário que haja, em primeiro lugar, regras claras garantidas pelo Estado e, em segundo lugar, é preciso cuidar daqueles que nada têm para oferecer a este mercado, porque não têm nem trabalho, nem dinheiro”, diz o parágrafo 160 da Doutrina Social da Igreja Católica (DOCAT). E se nos colocamos no direito de cobrar esse cuidado das autoridades, devemos assumir nosso dever de acompanhar os políticos e propostas dos candidatos para realizarmos escolhas pertinentes, além de não creditar o cuidado com o próximo apenas às autoridades, pois nós também podemos fazer a nossa parte:

“Mais importante, porém, é a ajuda para a autoajuda, uma ajuda, portanto que capacite os pobres para se libertarem a si mesmos da pobreza, por exemplo, na medida em que se consiga um trabalho para eles ou se lhes ofereça uma melhor formação” – parágrafo 169 do DOCAT. Por isso, é preciso analisar, estudar e contextualizar as propostas dos candidatos a fim de evitar escolhas impulsivas, sem jamais perder a crença em nossa nação, agindo de forma cautelosa e consciente.