É meu esse bilhete, de Lesley Dominiscki Luz.

De:  Lesley Dominiscki Luz.

 

Verto-lhe um avião de papel.

No ar, arremesso.

Em uma garrafa de vidro, no oceano, submerjo.

Que essa tecnologia lhe alcance.

Com tempo.

 

Sonho que não seja você uma monocultura da comunicação.

Lhe desejo como opção.

Proposição verdadeira.

 

Miro em ti.

Lanço um laço.

Pra fisgar um leitor enfeitiçado.

Em água da palavra, imbricado.

 

Nessa mortal loucura.

Quero você à toa.

Para embarcar nessa canoa.

Sem pressa.

Colocar a vida à deriva.

É meu esse bilhete.

 

Um convite.

Pra planarmos e pousarmos suaves sobre a terra.

Pra sermos como a floresta.

Xilema e floema.

Poema.

 

Poema não é pedra no caminho.

Poema é estrada.

É aparelho mais antigo.

Lavrado botão.

É começo, meio e começo.

 

Lhe peço.

Me ajuda a descansar nas palavras.

Escrita e leitura não causam impactos.

Elegante é ser literatura.

 

Não há de ser diluída a vontade.

Não deixaremos morrer nos versos o ânimo.

É meu esse bilhete.

 

De frente para o crime, tudo é economia.

Motor que gera exaustão.

Há chance de salvar o desejo e nos livrar da automação.

 

Fetiche.

Não é folclore.

Nem segredo.

Me ajuda a re-existir na palavra?

Para além desse método padrão.

Aglomerados códigos de barras.

Não vou re-clamar.

 

A ti submeto.

Mais esse texto.

Destinatário leitor.

Tenho a intenção de que lhe encontre.

Com a riqueza maior de todas.

Com tempo.

Para viver esse bilhete.

 

Meu desejo mais sexy é a poetagem.

 

Querido leitor, permita-me ser eu, um bicho mulher escritora.

Nesse Mutúm, seja meu par, assim como Dito e Miguilim tão humanamente foram.

É meu esse bilhete.

Texto: Lesley Dominiscki Luz.

Nota: Livro: Manuelzão e Miguilim de João Guimarães Rosa.

Imagem: Chatgpt

Postagem: Márcio Ribeiro

Contato: i[email protected]

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