Esta é uma publicação da Mythos, trazendo para o Brasil mais um trabalho da Sergio Bonelli Editore

A editora italiana é muito bem conceituada na Europa e conhecida nos lados tupiniquins através das histórias de seu principal personagem: Tex Willer. Mas, além do nosso querido Ranger, a Bonelli tem no seu panteão personagens muito interessantes, como Zagor, Nathan Never, Dylan Dog e Martin Mystère, sendo os últimos três, exemplos da linha “histórias de Detetives”, um dos pontos fortes da empresa. Com esta edição de Dragonero, somos apresentados à linha “fantástica” da casa.

No universo criado pelo autor Luca Enoch, houve uma divisão da classe dos magos, dando origem aos tecnocratas, estudiosos da ciência aplicada e que vivem criando aparatos tecnológicos dos mais diversos. No início da história, somos apresentados a dois representantes destas classes: o mago Alben e a tecnocrata Myrva, que juntos descobrem um grande mal que foi liberado de sua prisão, trazendo junto criaturas demoníacas. Sem saber ao certo ainda como lidar com este problema, a dupla decide formar uma equipe e partem a pedir ajuda de uma monja chamada Ecuba e de Ian Aranil, um aventureiro e ex-oficial do exército. Ao pequeno grupo, se juntam o orc Gmor (amigo leal de Ian) e a elfa Sera (especialista em ervas). Já com o grupo formado, decidem enfrentar o vilão Shiverata e o prender novamente. Para este fim, devem primeiro conseguir alguns artefatos como a última gota de sangue de dragão e a semente de uma planta rara. Ao final da história, a verdadeira origem do guerreiro Ian é revelada, abrindo um leque gigantesco para novas histórias.

Os desenhos ficam por corta de Giuseppe Matteoni, que tem um traço fino e trabalha muito bem com os efeitos de luz e sombras. Ao desenhar passagens mais cômicas, como uma lembrança da infância de Ian e Gnor, o traço fica ligeiramente cartunesco, o que leva a uma quebra de ritmo bastante interessante na história. Outro fator positivo nos desenhos, é o trabalho do artista no espaço negativo, sempre bem trabalhados e diversificados. Os detalhes da arte são potencializados pelo fato da edição ser publicada em preto e branco, ajudando assim no contraste. O conjunto roteiro/arte funciona muito bem como um ponto de partida para o grupo de aventureiros.

Para quem gosta de RPG é um prato cheio. Me lembrou as partidas de D&D 3.5 e a formação clássica de um grupo, com um guerreiro, um mago, um clérigo e um ladino. Em Dragonero, senti falta do ladino, mas ganhamos uma monja e Gnor, um orc bárbaro. Gnor, por sinal, é um personagem bastante interessante, que lembra o Fera, dos X-Men. Apesar de ser um orc bárbaro, ele é culto, e em sua primeira aparição está usando óculos. Outro quesito que lembra bastante as cessões de RPG, são os objetivos principais e as famosas quests. Para resolver a missão principal, os personagens devem primeiro resolver objetivos secundários.

O enredo não tem pretensões de se tornar um marco nas histórias em quadrinhos, é apenas  uma leitura leve e divertida. E cumpre muito bem o seu papel. A leitura é prazerosa, com bom desenvolvimento e bonita visualmente.

A edição brasileira conta com 290 páginas, capa cartonada e miolo com papel off white. Achei o preço um pouco salgado ( 34,90) para a qualidade da edição.

Na Itália, a história se tornou mensal, com publicações até hoje. Vamos torcer para que a editora Mythos continue a trazer para o Brasil.

 

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